• Sandra Carvalho

10 feridas abertas da desigualdade racial no Brasil

Estudo do IBGE escancara as disparidades entre negros, pardos e brancos no país.


Mulher negra: rendimentos são só 44,4% do que ganham homens brancos | Foto: cc Valter Campanato/Agência Brasil

O Brasil está longe de zerar a herança da escravidão, 131 após seu fim. A última pesquisa do IBGE sobre desigualdades por cor ou raça ainda mostra dados chocantes.


Entre as aberrações: mulheres pretas e pardas recebem menos da metade dos rendimentos dos homens brancos, e jovens pretos e pardos morrem quase três vezes mais que os jovens brancos por assassinato.


Atualmente, 55,8% dos brasileiros se identificam como pretos ou pardos. Eles têm uma situação muito pior que os brancos em relação a emprego, salário, moradia, educação e segurança.


1. Os pretos e pardos são 54,9% da força de trabalho, mas têm uma participação muito maior entre os desocupados: 64,2%. Entre os subutilizados, chegam a 66,1%.


2. A informalidade pega muito mais os pretos e pardos que os brancos: a cota deles é de 47,3%, enquanto a dos brancos para em 34,6%.


3. No mercado de trabalho, 68,6% dos cargos gerenciais são ocupados por brancos. Sobram para os pretos e pardos apenas 29,9%.


4. A disparidade de rendimentos é brutal. Enquanto o rendimento médio dos brancos entre as pessoas ocupadas é de 2.796 reais por mês, entre os pretos e pardos cai para 1.608 reais.

Mulheres negras recebem menos da metade dos rendimentos dos homens brancos: apenas 44,4 %. As brancas, 75,8%.


5. Abaixo da linha de pobreza, com menos de 5,5 dólares por dia per capita, a fatia de pretos e pardos é de 32,9%. Entre os brancos, 15,4%.


6. Quando se trata do local em que moram, pretos e pardos também vivem bem pior que os brancos. Entre as pessoas que vivem sem pelo menos um serviço essencial de saneamento básico, como esgoto, pretos e pardos chegam a 44,5%. Os brancos ficam em 27,9%.


7. Para acesso à internet, a disparidade não é tão grande em celulares. Mas para computadores, sim. Enquanto 61,4 % dos brancos podem acessar a internet por computador, apenas 39,6% dos pretos e pardos podem.


8. Em escolaridade, o fosso entre brancos e negros está diminuindo. Os brancos ainda estão na frente em conclusão do ensino médio (76,8% se formam, contra 61,8% dos negros). Mas pretos e pardos já são maioria entre os estudantes das universidades públicas ( 50,3% contra 46,6% de brancos).


9. No campo da segurança, é o oposto. Os assassinatos atingem muito desproporcionalmente pretos e partos. A taxa de homicídios entre os jovens brancos é de 34 por 100 mil, mas dispara para 98,5 entre os jovens pretos e pardos.


10. Em representação política, pretos e pardos ainda ficam bem atrás. Entre os deputados federais, os brancos são 75,6%. Preto e pardos, 24,%. Melhora um pouco entre vereadores, com brancos ficando com 57,9% das vagas e pretos e pardos com 42,1%.


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