• Sandra Carvalho

14 verdades inconvenientes sobre a epidemia global de obesidade

Em 2015, 2,2 bilhões de pessoas já pesavam demais no mundo para ser saudáveis.


Escultura no Lago de Constança, Alemanha | Foto: cc0 Photosforyou/Pixabay

A epidemia global da obesidade passa por um aumento explosivo. Os obesos já são 12% da população adulta do mundo, e 5% das crianças e adolescentes dos 2 aos 19 anos de idade.


É gente que não acaba, alvo fácil de infarto, AVC, diabetes, câncer e outras doenças, em países ricos e países pobres.


Um estudo de cientistas da Universidadade de Washington (UW), em Seattle, sobre os efeitos na saúde da obesidade e do sobrepeso, mostrou uma relação muito próxima entre excesso de peso, doença e morte.


Eles estudaram esses efeitos em 195 países ao longo de 25 anos, bancados pela Fundação Bill e Melinda Gates. Os resultados foram publicados esta semana no New England Journal of Medicine.


O estudo adotou o entendimento prevalecente de que é obeso quem tem um Índice de Massa Corporal (IMC) de 30 ou mais. Já um IMC entre 25 e 29 caracteriza sobrepeso.


Considerando esses dois critérios, 2,2 bilhões de pessoas estavam pesando mais do que deviam para ser saudáveis no mundo em 2015.


"Essas resoluções de perder peso meio de brincadeira no Ano Novo deveriam ser tornar um compromisso de ano inteiro de perder peso e prevenir o ganho de peso", disse Christopher Murray, um dos autores do estudo, num comunicado do IHME (Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde), da Universidade de Washington.


Acompanhe os principais alertas do estudo :


1. Os obesos adultos (de 20 anos para cima) chegaram a 603,7 milhões no mundo em 2015. A obesidade dobrou em 73 países de 1980 para cá e aumentou continuamente na maioria dos outros países, inclusive nos países pobres.


Veja o crescimento neste gráfico.


Disparada da obesidade: não escapa qualquer nível social | Gráfico: IHME

A linha contínua se refere a obesidade masculina e a tracejada, a obesidade feminina. A cor preta se refere à evolução global da obesidade. As outras cores se referem a níveis sócio-demográficos: vermelho, baixo; azul, baixo-médio; verde, médio; roxo, alto-médio, e laranja, alto.


2. A obesidade dobrou no mundo também entre as crianças. Os Estados Unidos têm a maior taxa de obesidade entre crianças e adolescentes: 12,7%. Bangladesh, a menor: 1,2%.


3. Só na China há 15,3 milhões de crianças obesas. Na Índia, 14,4 milhões.


4. Em 2015, o Egito tinha a maior taxa de obesidade de adultos, 35,3%, considerados os 20 países mais populosos. O Vietnã, a mais baixa: 1,6%.


5. Em números absolutos, ninguém bate os Estados Unidos, a pátria do fast food: 79, 4 milhões de obesos. A China vem logo atrás: 57,3 milhões.


6. O pico da obesidade global entre as mulheres se dá entre os 60 e 64 anos. Entre os homens, entre 50 e 54.


7. Obesidade faz mais mal para a saúde, mas sobrepeso também tem consequências graves. Como a obesidade, ela se espalha pelo mundo, inclusive África e Ásia. Confira no mapa do IHME, onde só as áreas cinzas estão relativamente a salvo do problema.


Mapa do sobrepeso no mundo : Mapa: IHME

8. O Brasil acompanhou o ganho de peso geral. Uma em cada quatro mulheres adultas é obesa no país, conforme os dados do estudo. Os homens não ficam muito atrás: praticamente um em cada cinco chegou lá.




9. Em sobrepeso, a balança também apontou números bem maiores entre os brasileiros. Quase 4 em cada dez homens brasileiros está na marca do sobrepeso.




10. Em 2015, 4 milhões de mortes foram ligadas a ICM alto no mundo, o que significa 7,1% das mortes totais. A maioria dessas mortes foi de obesos, mas 39% das pessoas tinham simplesmente sobrepeso.


11. Doenças cardiovasculares - como infarto e AVC - ligadas a ICM alto responderam por 2,7 milhões de mortes em 2015. Diabetes foi a segunda causa de morte ligada a ICM alto. Foram 600 mil mortes.


12. Segundo o estudo, há uma relação causal entre ICM e diversos tipos de câncer - esôfago, cólon, fígado, vesícula e trato biliar, pâncreas, seio, útero, ovário, rim, tireoide e leucemia.


13. Comidas muito calóricas têm um papel importante na epidemia global de obesidade. Veja o que diz o estudo:


"A maior disponibilidade, o maior acesso e a maior capacidade de comprar alimentos densos em calorias, junto com o marketing intenso desses alimentos, poderia explicar o excesso de consumo de calorias e o ganho de peso entre diferentes populações."


14. Sedentarismo é considerado no estudo um fator menor para o ganho de peso.


"As oportunidades reduzidas de atividade física que se seguiram à urbanização e outras mudanças no ambiente também têm sido consideradas fatores potenciais, mas essas mudanças no geral precederam o aumento global em obesidade e é menos provável que sejam uma contribuição importante."