• Sandra Carvalho

3 sinais tranquilizadores sobre o novo coronavírus (e 3 inquietantes)

Agora que o Brasil tem um caso confirmado de coronavírus, as preocupações aumentam.


O vírus da epidemia Covid-19 | Foto: cc NIAID/Flickr

A epidemia de coronavírus já contaminou mais de 81 mil pessoas, matou 2.765 e chegou a mais de 40 países. O Brasil é o mais novo participante do rol dos atingidos. Nessas circunstâncias, o que alivia as preocupações e o que torna as perspectivas mais carregadas?


Sinais tranquilizadores:


1. O novo coronavírus já perdeu algum fôlego onde nasceu, na China, depois de combatido com medidas duríssimas, com as quarentenas mais massivas e inflexíveis da história. O número de novos casos de Covid-19 tem caído substancialmente no país, mesmo na cidade de Wuhan, o epicentro da epidemia. O controle da doença segue implacável, indo da desinfecção de dinheiro nos bancos ao tipo de carne que se pode comer nos restaurantes.


2. Segundo os dados da OMS, 80% dos casos de Covid-19 são leves, o que significa que 8 em cada 10 pessoas infectadas não sofrerão riscos maiores. Os casos graves, com pneumonia e dificuldades respiratórias, chegam a 14%. Os críticos, onde se concentra mais o risco de morte, ficam em 5%.


3. O risco de morte do novo coronavírus é bem menor que o dos velhos coronavírus ( na epidemia de SARS, a taxa de mortalidade foi de 9,6%, e na de MERS, a 34,4%) . Na China, a taxa de mortalidade do Covid-19 é de 2,3% (2,8% para homens e 1,7% para mulheres) na média. Pessoas idosas ou já com outras doenças, como diabetes, câncer e problemas cardíacos, correm mais risco, claro.


Sinais inquietantes:


1. A epidemia ganhou corpo na Coreia do Sul, com 1261 pessoas contaminadas e 12 mortos. Mais da metade dos casos tem a mesma origem, na Igreja de Jesus Shincheonji. A tensão subiu a ponto de a banda de K-pop BTS, a mais popular do mundo num gênero que está explodindo, lançar seu novo álbum, "Mapa de Seul", numa sala vazia, com transmissão por streaming.


2. Na Itália, o país mais afetado pela epidemia de coronavírus na Europa, o hospital da cidade de Codogno, no norte do país, cometeu erros primários ao lidar com o Paciente 1 de coronavírus, um homem de 38 anos chamado Mattia. A disseminação do vírus avança rápido. Na quinta-feira, dia 20, havia apenas 3 pessoas infectadas e nenhuma vítima fatal no país. Hoje há 374 pessoas infectadas e 12 mortos.


3. O Covid-19 pode ser menos mortal que outras epidemias, mas é mais infeccioso. Entre 1% e 5% dos contatos próximos dos doentes fica doente também, segundo o Global Times, da rede estatal de imprensa chinesa. Essa pode ser a média, mas há casos de superdisseminadores, que transmitem o vírus para dezenas de pessoas.


A epidemia do novo coronavírus ainda lança uma montanha de dúvidas sobre o futuro próximo. Duas delas:


1. As pessoas infectadas podem passar a doença para outras no período em que o vírus ainda está incubado, antes que sintam qualquer sintoma da doença? Na China, diz-se que sim. A OMS ainda não endossou essa suposição.


2. A tão aguardada Olimpíada de Tóquio vai ser cancelada por causa da epidemia? Hoje o Japão é o terceiro país mais atingido pela epidemia, com 178 pessoas infectadas e 2 mortos. Ontem, um dos membros do comitê dos Jogos Olímpicos, Dick Pound, disse que há possibilidade de cancelamento se a situação estiver muito grave.


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