• Sandra Carvalho

4 custos escondidos (mas nem tanto) do plástico

O futuro não está no plástico - os estragos que ele causa podem ser calculados um a um.


garrafas plásticas
Garrafas: os plásticos de uso único chegam a 36% | Foto: cc0 Nick Fewings/Unsplash

Na comédia romântica americana A Primeira Noite de Um Homem, de 1967, alguém diz a Benjamin Braddock (Dustin Hoffman), 21 anos, que acabara de se formar e não tinha ideia do que fazer na vida: "Há um grande futuro em plástico".


Quando o filme foi lançado, cada pessoa consumia em média 7 quilos de plástico por ano no mundo. Hoje, o número subiu para 46 quilos por pessoa. Em escala global, estamos falando de inimagináveis 350 milhões de toneladas métricas de plástico por ano.


As estimativas foram feitas pela organização inglesa Carbon Tracker, dedicada a convencer os grandes investidores de que apostar em combustíveis fósseis é uma furada por seu altíssimo impacto no clima do planeta.


Leve, flexível e barato, feito geralmente de petróleo, o plástico parecia não ter limites quando começou a se popularizar, nos anos 50.


Os efeitos colaterais de seu uso descontrolado foram aparecendo aos poucos, até se tornarem eloquentes - como os 11 milhões de toneladas métricas de plástico que fluem para os oceanos por ano.


A Carbon Tracker acaba de fazer um relatório mostrando 4 custos atuais insustentáveis do plástico. O título do relatório: "O futuro não está no plástico". Os 4 custos:


1 - Cada tonelada de plástico custa para sociedade pelo menos 1.000 dólares em dióxido de carbono (CO2), contas de serviços de saúde e poluição dos oceanos. É uma paulada global de 350 bilhões de dólares por ano.


2 - Uma fatia de 36% dos plásticos são usados apenas uma vez e jogados fora, como garrafas, canudinhos, pratos, talheres e embalagens efêmeras variadas.


3 - Dos plásticos usados, 40% vão parar no meio ambiente, poluindo as cidades, os rios e os oceanos.


4 - Mais de 90% dos plásticos escapam de reciclagem - a porção para reuso não chega a 10%.


O que a #CarbonTracker sugere? Nada mágico: um freio nos plásticos de uso único; redução no uso do plástico e sua substituição por outros produtos mais sustentáveis; aumento da reciclagem e cobrança de impostos sobre lixo plástico não reciclado, entre as sugestões mais importantes.


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