• Sandra Carvalho

9 coisas que é preciso saber sobre vigilância social

Os sistemas de controle movidos a inteligência artificial já se espraiaram por 75 países.


Celular na mão: o grande facilitador dos esquemas de vigilância | Foto: cc0 Robins Worrall/Unsplash

O número de países que monitoram, rastreiam e investigam seus cidadãos tem aumentado muito nos últimos anos - a vigilância social ganhou aliados por toda parte, potencializada pela inteligência artificial.


Pelo menos 75 países usam ativamente inteligência artificial para vigilância, seja fazendo reconhecimento facial da população, acompanhando o movimento das pessoas nos metrôs, seguindo suspeitos de crimes comuns ou perseguindo inimigos políticos dos governos do momento.


O número é estimado pelo Índice Global de Vigilância por Inteligência Artificial (AIGS) da organização americana Carnegie Endowment for International Peace, que pesquisa a situação em 176 países.


Nesse levantamento, tudo é rotulado de vigilância - dos controles de cidades inteligentes aos sistemas de reconhecimento facial às estratégias policiais para localizar, perseguir e prender gente fora da lei.


A estimativa de 75 países engajados com inteligência artificial para vigiar seus cidadãos é pré-coronavírus. Com a pandemia, os esquemas de vigilância cresceram ainda mais, a fim de combater a Covid-19, sobretudo na Ásia, em Cingapura, Taiwan, Hong Kong, Coreia do Sul e claro, na China, o país com as tecnologias mais avançadas e implacáveis de vigilância.


Mas nem pense que a vigilância social é algo substancialmente asiático ou um traço apenas de governos autoritários.


A vigilância ganhou tanto regimes mais fechados quanto as democracias mais abertas. A diferença, de acordo com o AIGS, é que os países autocráticos tendem a abusar mais dessas tecnologias.


Mapa: AIGS/Carnegie Endowment for International Peace

Veja o que o índice AIGS diz sobre essa tendência de arapongagem digital que ganha o mundo:


1 - A China é o motor da vigilância em escala global. Empresas como Huawei, Hikvision, Dahua e ZTE abastecem 63 países com tecnologia de vigilância baseada inteligência artificial. Só a Huawei fornece tecnologia para 50 diferentes países.


2 - A oferta de produtos chineses é acompanhada de empréstimos para encorajar os governos a comprar os equipamentos. A tática funciona particularmente bem em países como Quênia, Laos, Mongólia, Uganda e Uzbequistão, que de outra forma não teriam acesso a essa tecnologia.


3 - A China não está sozinha nesse mercado. Os Estados Unidos também têm companhias que oferecem tecnologias de vigilância baseadas em inteligência artificial. A IBM vende essas tecnologias para 11 países, a Palantir para nove e a Cisco para seis.


4 - Empresas com sedes em democracias liberais também estão no jogo, disputando vendas de tecnologias de vigilância. São do Japão, França, Alemanha e Israel.


5 - Nas democracias avançadas, 51% dos países usam sistemas de vigilância baseados em inteligência artificial - detêm criminosos em potencial, monitoram cidadãos por mau comportamento e tiram suspeitos de terrorismo de circulação.


6 - Na Europa, as democracias liberais estão correndo para instalar controles de fronteira automatizados, policiamento preditivo, projetos de cidades seguras e sistemas de reconhecimento facial. O site da Huawei está cheio de cases de cidades da Alemanha, Itália, Países Baixos e Espanha.


7 - Governos autocráticos e semiautocráticos, como China, Rússia e Arábia Saudita, estão explorando tecnologias de inteligência artificial com objetivos de vigilância em massa. Outros governos, com má reputação em direitos humanos, exploram essas tecnologias de maneira mais restrita, para reforçar a repressão.


8 - Há uma relação forte entre as despesas militares de um país e os esquemas de vigilância: 40 dos 50 países que mais investem em armas usam também tecnologias de vigilância.


9 - A vigilância estatal não é inerentemente ilegal nem necessariamente praticada para repressão política ou limitação das liberdades individuais. O rastreamento é fundamental na prevenção de atentados terroristas, por exemplo.


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