• Sandra Carvalho

A batalha das pulgas-do-mar contra as luzes das cidades

Elas precisam da iluminação natural do céu para se orientar e encontrar comida.


As luzes do Castelo de Caernarfon, no País de Gales | Foto: cc0 Neil Thomas/Unsplash

As luzes artificiais noturnas tomaram as cidades no litoral do mundo inteiro, e se refletem em 23% da costa em todo o globo . Seu impacto se nota tanto nos animais próximos quanto nos que estão quilômetros distantes.


Para as espécies que se guiam pela lua e pelas estrelas para achar comida, a poluição da luz é dramática.


É o caso da pulga-do-mar, a Talitrus saltator, conhecida também por pulga-da-areia, um pequeno crustáceo comum na costa europeia e na América do Norte. Ela passa o dia enfiada na areia, entre 10 e 30 cm de profundidade, e sai à noite em busca de algas em decomposição e detritos variados.


Essa criaturinha precisa demais da iluminação natural do céu para se orientar. Mas, em vez disso, vê cada vez mais skyglow, aquela iluminação artificial noturna difusa, uma das formas mais comuns de poluição da luz.


O resultado é que as pulgas-do-mar se confundem com a disrupção de sua bússula lunar, indo em direção ao mar e se distanciando de suas fontes de comida. Ou então elas nem sequer se aventuram a sair em busca de alimento.


Pulga-do-mar: presença na areia | Foto: cc Arnold Paul/Wikimedia Commons

Um estudo das universidades britânicas de Bangor, no País de Gales, e Plymouth, na Inglaterra, mostra como o skyglow ameaça não só as pulgas-do-mar, mas todo o ecossistema, já que elas cumprem um papel importante: reciclar as algas que se desfazem na costa.


Os pesquisadores monitoraram quase mil pulgas-do-ar na praia de Cable Bay, no norte do País de Gales, durante 19 noites entre junho e setembro do ano passado, nas diferentes fases da lua e situações climáticas.


Parte do monitoramento foi feito com luzes artificiais que simulavam as condições do céu em vilas e cidades litorâneas do Reino Unido. O estudo foi publicado no jornal Current Biology.


“Skyglow é a forma geograficamente mais difundida de poluição da luz", observou Thomas Davies, professor de Conservação Marinha na Universidade de Plymouth e autor sênior do estudo. "Com as populações humanas costeiras ajustadas para pelo menos o dobro até 2060, seus efeitos só aumentarão."


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