• Sandra Carvalho

Briga de bactérias no queijo minas frescal

Um estudo da USP mostra falta de higiene na fabricação desse queijo.


Queijo branco
Queijo branco: competição de bactérias | Foto: Kamran Aydinov/Freepik

A temida bactéria Listeria monocytogenes, que causa infecções graves, pode ser um problema para queijos europeus, mas no Brasil aparece pouco em queijos minas frescal. Boa notícia? Nem tanto.


Um estudo do Centro de Pesquisa em Alimentos da USP acaba de mostrar que essa bactéria não prolifera nos queijos minas frescal porque enfrenta uma concorrência brava de outras bactérias no produto.


Entre os competidores da Listeria monocytogenes estão os coliformes. Segundo os pesquisadores da USP, isso não significa obrigatoriamente uma ameaça à saúde dos consumidores, porque nem todo coliforme é patogênico, mas indica falta de higiene.


O estudo foi publicado no periódico Brazilian Journal of Microbiology.


A Listeria monocytogenes é uma ameaça maior para grávidas, recém-nascidos, pessoas com mais de 65 anos e quem tem o sistema imunológico abalado - pacientes com HIV, câncer, transplantados etc.


A bactéria pode causar desde uma gastroenterite sem complicações a meningite, encefalite, aborto espontâneo, sepse e até levar a morte entre 30% e 50% das pessoas dos grupos mais vulneráveis. Sua baixa frequência nos queijos minas frescal é algo em si positivo.


Já a presença dos coliformes é outra história. Os pesquisadores notaram que estudos anteriores já apontaram uma contaminação alta do queijo por esse tipo de bactéria.


Eles observaram que a contaminação não acontece no leite pasteurizado usado no queijo minas frescal, mas nos locais de processamento do produto.


"Esse trabalho mostra que, quando há muito coliforme, a Listeria não consegue se multiplicar”, observou Maria Teresa Destro, uma das autoras do estudo, à Agência Fapesp.


Segundo os cientistas, essa característica dos queijos brasileiros, de pouca Listeria e muito coliforme, deveria receber mais atenção.


Mesmo considerando que nem todo coliforme é um agente de contaminação, o pesquisador Uelinton Manoel Pinto, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, dá uma dica: “Se o produto for todo furadinho, procure outra marca”.


Você encontra mais detalhes da pesquisa nesse texto da Agência Fapesp.


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