• Sandra Carvalho

A caça acabou com esse rinoceronte? Não, o clima

É o que mostra a análise do genoma dos rinocerontes-lanudos feita na Suécia.


Rinoceronte-lanudo bebê reconstituído, encontrado na Sibéria | Foto: Albert Protopopov

Os rinocerontes-lanudos, gigantescos herbívoros pre-históricos, que viviam na Europa e o norte da Ásia, desapareceram no fim da última era do gelo.


A sua extinção costumava ser atribuída à caça excessiva pelos primeiros humanos que começavam se espalhar pelo globo. Agora cientistas suecos, da Universidade de Estocolmo e do Museu Sueco de HIstória Natural, bombardearam a tese.


Segundo eles sugerem, os rinocerontes-lanudos (Coelodonta antiquitatis) se extinguiram pela mudança de clima, quando a temperatura provavelmente esquentou demais para animais muito adaptados ao frio. O estudo foi publicado no jornal Current Biology.


"Estamos nos afastando da ideia de os humanos assumirem o controle de tudo assim que entram em um ambiente para, em vez disso, elucidar o papel do clima nas extinções da megafauna", afirmou Edana Lord, uma das autoras do estudo.


Esqueleto de rinoceronte-lanudo | Foto: cc Fedor Shidlovskiy

A tese da caça excessiva começou a ser minada pelas datas. Antes se pensava que os humanos apareceram no nordeste da Sibéria cerca de 14 mil ou 15 mil anos atrás, quando os rinocerontes-lanudos desapareceram.


Mas recentemente foram descobertos lugares de ocupação humana bem mais antigos, um dos quais de 30 mil anos atrás. Sendo assim, a extinção dos rinocerontes-lanudos e o início da disseminação humana pelo mundo já não coincidem.


Para investigar as causas do desaparecimento, os cientistas analisaram o DNA de amostras de tecido, osso e cabelo de 14 rinocerontes-lanudos, sequenciando o genoma nuclear completo deles.


O foco das análises: a heterozigosidade, a diversidade genética, para descobrir a consanguinidade. Assim, conseguiram estimar o tamanho das população dos animais dezenas de milhares de anos antes de sua extinção.


Os cientistas verificaram que eles aumentaram aproximadamente 29 mil anos atrás e depois se mantiveram estáveis até 18.500 anos atrás, último ano das análises de genoma.


A conclusão dos cientistas é os rinocerontes começaram a diminuir nesse intervalo de 18.500 e 14 mil anos atrás. "Embora não possamos descartar o envolvimento humano, sugerimos que a extinção do rinoceronte-lanudo estava mais provavelmente relacionada ao clima", observou Lord.


Edana Lorde trabalhando amostras de DNA dos rinocerontes em laboratório | Foto: Marianne Dehasque

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