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A China está perto de fazer os melhores carros do mundo

O país é o maior fabricante de carros há mais de década, e impressiona em carros elétricos.


Polestar
Carro da Polestar, concorrente chinês da Tesla : direto da China para encantar clientes da Suécia e Noruega | Foto: cc0 Redcharlie/Unsplah

A Europa e países ocidentais fora de lá dominaram a excelência em carros por mais de um século.


Seja o barulho reconfortante da porta se fechando em um #Volkswagen de Wolfsburg ou a beleza de uma Ferrari de Modena, essas marcas são icônicas - e muito lucrativas para seus fabricantes.


Quando pensamos em confiabilidade, logo lembramos dos alemães, e mais recentemente dos japoneses.


Mas quem se acomoda logo vê uma empresa novata em seu calcanhar.


Os chineses não são exatamente novatos no sentido tradicional: já se passou mais de uma década desde que ultrapassaram os Estados Unidos e se tornaram os maiores fabricantes de automóveis do mundo.


Mas, apesar de atingir esse marco em 2008, os carros chineses continuaram a ser, em sua maioria, clones de veículos ocidentais baratos.


Agora, no entanto, pode-se argumentar que a China está produzindo os melhores carros do globo e no caminho certo para dominar a fabricação de automóveis.


Como isso aconteceu? O ocidente será capaz de recuperar sua coroa?


A vantagem de Pequim


O centro de excelência na fabricação de automóveis mudou-se da Europa na virada dos anos 1900 para os Estados Unidos com o crescimento de #Detroit como a potência automobilística mundial.


As décadas de 1980 e 1990 viram o Japão e a Coréia do Sul dispararem, apenas para a Europa crescer novamente no início dos anos 90, quando a Volkswagen lutou contra a Toyota para ser o fabricante número um em produção.


Cada continente adicionou seu próprio sabor ao longo do caminho, desde a inovação em segurança na Europa até a produção em massa nos EUA e a manufatura enxuta no Japão.


Foram os sistemas de manufatura da #Toyota que salvaram a Porsche alemã quando ela enfrentava péssimas condições de negócios na década de 1990, por exemplo.



Carro da Xpeng
Carro elétrico Xpeng: começando a invadir o mercado europeu | Foto: cc Jengtingchen/Wikimedia Commons

A China construiu gradualmente suas capacidades de fabricação de automóveis durante essas diferentes eras.


Ela originalmente começou a fabricar veículos utilitários de design soviético sob licença na década de 1950, antes que suas empresas estatais chegassem a acordos semelhantes em joint-ventures com fabricantes ocidentais como General Motors (#GM) e Volkswagen na década de 1980.


Esses acordos produziram carros muito mais bem projetados e sofisticados, e logo as estradas da China começaram a ficar entupidas de clones ocidentais.


Mas se isso elevou firmemente a China à posição de maior fabricante mundial de automóveis em veículos produzidos, agora o país pode ir um pouco mais longe.


O objetivo de qualquer nação automotiva é produzir veículos de excelente qualidade com o menor preço possível, deliciando o proprietário simultaneamente com características inovadoras e bom design.


A qualidade do veículo tem a ver com confiabilidade simples e também com o que descreveríamos como qualidade de construção: o quanto o veículo é bem acabado, a uniformidade do acabamento da pintura, quão bem os diferentes painéis da carroceria se alinham e até mesmo o som que as portas fazem quando se fecham, como acontece com carros Volkswagen.


Os veículos japoneses e coreanos têm dominado o campo da confiabilidade, enquanto o atributo de qualidade de construção tem sido reservado aos alemães para os carros fabricados em massa, e aos nomes britânicos como Rolls-Royce e Bentley no segmento de luxo (ironicamente, ambos são propriedade dos alemães).


A China é agora uma grande ameaça em ambas as frentes, tendo tido a vantagem de amadurecer mais recentemente: à medida que cada nova nação aprende a produzir veículos em escala, ela se beneficia de todo o aprendizado e desenvolvimentos técnicos anteriores.


Os países já estabelecidos nessa indústria teriam que começar do zero para ter esses benefícios, o que é uma enorme reviravolta e despesa. Muitas fábricas de automóveis nos Estados Unidos foram construídas na década de 1950 ou mesmo antes, por exemplo.


A China também está bem posicionada para construir carros pelo preço certo. Ainda paga salários relativamente baixos e tem milhões de trabalhadores qualificados imersos na forte cultura manufatureira do país.


Trabalhadores qualificados são vitais para reduzir os custos automotivos porque fazem veículos que precisam de menos ajustes ou reconstruções.


Carros da Nio
Carros da Nio em Oslo: expansão | Foto: Nio

A China também tem excelentes ligações marítimas, com muitas fábricas de automóveis perto de Xangai, o maior porto marítimo do mundo. Isso inclui a gigafábrica da Tesla, uma das maiores instalações do mundo, capaz de produzir cerca de 2.000 carros por dia.


Pegar o produto, despachá-lo e levá-lo ao cliente reduz rapidamente os custos porque os fabricantes são pagos mais cedo.


Também de importância crucial é a enorme cadeia de suprimentos de componentes da China, que já é um grande exportador de peças de automóveis para outras nações.


Tudo isso resulta em enormes economias de escala que não existem em nenhum outro lugar e são difíceis de replicar.


Troca da guarda


É certo que alguns veículos chineses na última década não tiveram o design ou desempenho esperado pelos compradores ocidentais, então não venderam em volumes suficientes na Europa para preocupar a indústria automobilística.


No entanto, isso está mudando rapidamente. Startups como a Polestar (de propriedade da Volvo) estão construindo veículos que combinam excelente qualidade de construção e recursos de segurança, design e desempenho que os compradores ocidentais exigem.


As vendas do SUV elétrico Polestar 2 superaram às vezes o Tesla Model 3 na Suécia e na Noruega, embora o Modelo 3 ainda seja o mais vendido em geral.


Comparar veículos fabricados no ocidente e na China é particularmente esclarecedor. Os carros Modelo 3 e Modelo Y da #Tesla são fabricados nos Estados Unidos e na China, e os proprietários na Europa relataram que as versões chinesas são melhores.


A Polestar e a Tesla têm fábricas muito modernas e seus carros são totalmente elétricos. São projetados no ocidente, assim como o iX3 da #BMW, outro SUV totalmente elétrico construído na China para exportação para a Europa.


Como a Polestar e a Tesla, o iX3 está tirando proveito da cadeia de suprimentos da China em baterias EV, entre outras coisas.


Os veículos projetados e fabricados na China não estão muito atrás em design (se não forem iguais) e começam a invadir os mercados europeus.


A Xpeng é uma startup chinesa que produz apenas veículos elétricos. Tendo vendido bem na China, está fazendo suas primeiras incursões na Europa através da Noruega com seu modelo G3.


As avaliações deste SUV compacto pela imprensa tradicional especializada em carros têm sido boas.


Enquanto isso, a Nio é outro fabricante chinês que está fazendo grandes avanços para se tornar um nome global em veículos elétricos puros.


Ainda é cedo para que esses carros inteiramente chineses derrubem o establishement, e sempre há a possibilidade de que a geopolítica atrapalhe o seu progresso. Mas finalmente parece que todos os ingredientes estão lá.


A próxima revolução no setor automotivo será substituir os veículos a #gasolina e a #diesel por elétricos. Com todas as vantagens da China, ela pode liderar essa mudança e, finalmente, se tornar o berço dos melhores carros do mundo.


☛ Este artigo foi escrito por Tom Stacey, professor de Operações e Supply Chain da Universidade de Anglia Ruskin (#ARU). Foi republicado do site The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o original em inglês.


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