• Sandra Carvalho

A domesticação dá um tranco no cérebro das galinhas

Em 10 gerações, o cérebro das aves já diminui de tamanho. E elas já não têm tanto medo.


Galo-banquiva: o ancestral de todas as galinhas | Foto: cc Jason Thompson/Flickr

Não há aves mais populares que as galinhas no mundo. Há quase três vezes mais galinhas do que humanos na face da Terra - elas chegam a 20 bilhões, e nós não passamos de 7,6 bilhões.


Todas as elas descendem do mesmo ancestral, o Gallus gallus, do Sudeste da Ásia, conhecido como galo-banquiva ou galo-vermelho-das-florestas, domesticado há 10 mil anos.


Um estudo sueco, da Universidade de Linköpin (LiU), acaba de jogar uma luz sobre como aconteceu esse processo de domesticação, e as modificações que provocou no cérebro das galinhas.


Os pesquisadores criaram dez gerações de galos-banquiva, partindo de aves selvagens, mas escolhendo entre elas as que demonstravam menos medo dos humanos, a fim de facilitar a domesticação, na tentativa de imitar o que nossos antepassados possivelmente fizeram 10 mil anos atrás.


Conforme as gerações foram se sucedendo entre as galinhas domesticadas, o cérebro foi diminuindo em relação ao tamanho do corpo, exatamente como aconteceu com as aves no passado. A mudança foi pronunciada no tronco cerebral, envolvido em certas reações de estresse.


Para verificar se a capacidade de aprendizagem das aves tinha sido afetada, os cientistas fizeram um teste com uma luz piscante, que assustava as galinhas mas nada verdade não representava nenhum perigo.


As galinhas domesticadas logo aprenderam que a luz não fazia mal a elas e deixaram de se comportar de maneira estressada em relação a elas, alterando sua memória do medo.


“Acreditamos que a habilidade de se adaptar rapidamente é benéfica para as aves que vão viver entre os humanos, onde eventos desconhecidos e assustadores, mas não perigosos, fazem parte da vida cotidiana”, diz Rebecca Katajamaa, pesquisadora do Departamento de Física, Química e Biologia da LiU.


O estudo foi publicado no jornal Royal Society Open Science. Veja mais: Raposas-vermelhas começam a ficar parecidas com pets