• Sandra Carvalho

A estranha dieta dos peixes-elétricos da Amazônia

Os poraquês preferem coisas difíceis de engolir, como peixes com muito espinho.


Poraquê do tipo E. varii
Poraquê: disputa por comida com jacarés e ariranhas | Foto: David Santana/Agência Fapesp

Os poraquês, peixes elétricos da Amazônia, ainda guardam muitas surpresas para a Ciência. A última delas é a sua dieta.


Um grupo de pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio) e da Universidade Federal do Amapá (Unifap), estudou em minúcias o que eles comem.


Eles analisaram o conteúdo do estômago de 43 poraquês da espécie Electrophorus varii. Os peixes foram coletados na bacia do rio Curiaú, área de proteção ambiental de Macapá, no Amapá.


O que os pesquisadores encontraram? Exatos 96,6% eram peixes, principalmente bagres como o tamuatá, e ciclídeos como os acarás.


Eram peixes cheios de espinhos, disputados com jacarés e ariranhas. O tamuatá tem não só espinhos, mas também um tipo de armadura no corpo, para dificultar ainda mais a ingestão.


Em alguns estômagos foram encontrados apenas uma semente de açaí. Isso não quer dizer que os poraquês são substancialmente carnívoros, mas onívoros nas horas vagas. Eles são realmente carnívoros.


Raimundo Nonato Gomes Mendes Júnior, analista ambienta do IUCMBio e o principal autor do estudo, explicou à Agência Fapesp:


“Os poraquês têm uma visão muito ruim, são praticamente cegos e, por isso, se orientam por meio de descargas elétricas fracas. Na hora do ataque, o que está junto da presa provavelmente acaba sendo engolido junto."


O estudo foi publicado no jornal científico Neotropical Ichthyology.


Poraquê
Capturando um poraquê para pesquisas | Foto: Raimundo Nonato Gomes Mendes Júnior et al/Agência Fapesp

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