• Sandra Carvalho

A galeria dos porcos-espinhos cresceu

Biólogos brasileiros identificaram uma nova espécie, a Coendou longicaudatus.


Porco-espinho
Um porco-espinho encantador: Coendou longicaudatus boliviensis | Foto: João Marcos Rosa

Porco-espinho, ouriço, ouriço-cacheiro, cuandu, cuim - todos esses nomes populares designam genericamente os roedores eretizontídeos. Quando os cientistas entram em campo, as generalizações acabam.


Um grupo de biólogos brasileiros acaba de passar a limpo a classificação dos porcos-espinhos neotropicais do gênero Coendou e se deparou com uma nova espécie.


Trata-se da Coendou longicaudatus, por sua vez dividida em duas subespécies: a Coendou longicaudatus longicaudatus, que vive na Amazônia, e a Coendou longicaudatus boliviensis, que se encontra do Cerrado, Chaco e Pantanal. Longicaudatus é o que parece: cauda longa em latim.


O estudo foi publicado no Journal of Zoological Systematics and Evolutionary Research. A pesquisa envolveu pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (#UFPB) Universidade Federal do Ceará (#UFC) e Universidade Estadual do Ceará (#UECE).


"Os Coendu longicaudatus são enormes, com alguns indivíduos passando de 5 quilos, com uma cauda proporcionalmente maior que a de outras espécies", observa o biólogo Fernando Heberson Menezes, doutorando da #UFC, primeiro autor do estudo sobre os porcos-espinhos.


Esses são apenas exemplos das particularidades dos Coendu longicaudatus, ele diz, mas não são as características principais para identificação. "Os espinhos são ótimos para isso", define. "Você consegue facilmente identificar qualquer uma dessas espécies e subespécies somente por um espinho tricolor que é encontrado nas costas do animal."


Para rever a classificação dos animais e identificar a nova espécie, os pesquisadores fizeram análises morfológicas, filogenéticas, morfométricas e sequenciamento de DNA.


Durante o estudo, os cientistas notaram que há possibilidade de outra espécie de porcos-espinhos, a Coendou prehensilis, correr risco de extinção.


Atualmente esses animais se concentram num único lugar, o Centro de Endemismo Pernambuco, remanescente da Mata Atlântica entre o Rio Grande do Norte e Alagoas, sob grande pressão de cidades próximas e do agronegócio. ✔︎


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