• Sandra Carvalho

Usina nuclear, 10 anos após Fukushima: fênix ou espécie extinta?

Persiste a desconfiança sobre a segurança das usinas que o desastre nuclear levantou.


Vistoria na usina Fukushima Daiichi | Foto: cc Greg Webb/IAEA

Um terromoto, um tsunami e um desastre nuclear em Fukushima sacudiram o Japão dez anos atrás, matando mais de 15 mil pessoas, desaparecendo com mais de 3 mil e provocando a evacuação de outras 160 mil.


Tanto tempo depois, subsistem as suspeitas sobre a segurança das usinas nucleares. Às vezes as dúvidas não são nem pela tecnologia em si - mas pelos riscos existentes quando a segurança não é colocada em primeiro lugar.


Nos anos 80, o desastre da usina nuclear soviética Chernobyl, na Ucrânia, já tinha estimulado o temor de acidentes trágicos com energia nuclear a um nível significativo. Fukushima reavivou as más impressões.


Na usina de Fukushima Daiichi, sabe-se que a segurança não era a prioridade número 1 . Comissões independentes que estudaram o desastre nuclear apontaram que ele poderia ter sido evitado.


Afirmaram que não havia cultura de segurança no local e que as autoridades japonesas tinham sido permissivas demais com a usina. A empresa, a TEPCO, flertava com a tragédia ao subestimar riscos de desastres naturais. Mais: desencorajava seus funcionários de fazerem questionamentos, enfatizando a hierarquia.


Outra usina nuclear japonesa, a Onagawa, da companhia de eletricidade Tohoku, mais próxima do centro do terremoto e mais cuidadosa, sobreviveu com segurança. Os reatores eram do mesmo tipo.


Depois de Fukushima, houve uma paradeira na construção de usinas nucleares, que já não estavam se expandindo tanto.


Em 2010, havia 440 reatores de usinas nucleares em funcionamento. Hoje, eles ainda são 441, segundo as estimativas da Associação Nuclear Mundial. Confira no gráfico.



O futuro, para as usinas, é incerto. O presidente americano, Joe Biden, acha que a indústria nuclear pode se tornar um fênix ou virar uma espécie extinta. Essa evolução dependeria de aceitar uma supervisão bem mais forte que a atual, para que a confiança em sua segurança fosse recuperada. A conferir.


Hoje há usinas nucleares em 31 países, que geram 10% da eletricidade consumida no mundo, de acordo com os dados da Associação Nuclear Mundial. A maior parte das usinas fica nos Estados Unidos (95) depois na França (57), China (47) Rússia (38) e Japão (33), segundo o site Statista.


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