• Sandra Carvalho

Nova fronteira da medicina: edição de genes no corpo das pessoas

A edição de genes pode permitir a cura de doenças genéticas.


Quebra-cabeça com genes: redefinição da Medicina | Imagem: cc0 Pixabay

O chef americano Brian Madeux, 44 anos, fez história no dia 13 de novembro, no Hospital Infantil Benioff de Oakland, da Universidade da Califórnia.


Ele foi a primeira pessoa a ter os genes editados, numa tentativa de tratar a síndrome de Hunter, uma doença genética terrível e até agora incurável.


Quem sofre da síndrome - homens, principalmente - tem pouca ou nenhuma enzima iduronato-2-sulfatase (IDS). Sem ela, carboidratos tóxicos se acumulam no corpo, causando danos graves ao coração, pulmão e ossos.


Os doentes são baixos, têm frequentemente faces distorcidas, problemas de audição, de pele, de olhos e do cérebro. Tendem a morrer antes dos 20 anos.


Por trás da edição de genes executada pelos cientistas do hospital de Oakland está uma empresa de biotecnologia de Richmond, Califórnia.


É Sangamo Therapeutics, especializada em edição de genomas e terapias baseadas em modificação de genes.'


Para fazer a edição in vivo dos genes de Brian Madeux, foi usada a tecnologia nuclease de dedo de zinco (ZFN, na sigla em inglês) da Sangano.


Ela permite inserir um gene corretivo na localização exata das células de fígado do DNA usando um vírus, através de uma única aplicação intravenosa.


Corte de DNA no lugar certo


Segundo descreve a Sangano, as nucleases entram nas células como instruções inativas de DNA, num formato que só as células do fígado podem destravar.


Liberadas, elas cortam o DNA no lugar certo. Usando os processos naturais de reparação de DNA, as células do fígado colocam o gene corretivo no lugar apropriado. Assim, a enzima IDS passa a ser produzida normalmente dali em diante.


Se o script teórico foi seguido à risca e a edição de genes de Brian Madeux deu certo, só se saberá com certeza daqui a três meses.


Mas depois de fazer 26 cirurgias, ter de parar de cozinhar e de andar a cavalo por causa da síndrome de Hunter, ele achava que tinha de arriscar.


A Sangano tem dois outros testes clínicos da edição de genoma in vivo acontecendo nos Estados Unidos.


Um deles é para terapia de hemofilia B e outro para síndrome de Hurler, outra doença genética causada por deficiência de uma enzina.


Tudo indica que a edição de genes veio para ficar. Dirigida ao tratamento de pessoas que já sofrem com doenças incuráveis, nem é polêmica.

Ou pelo menos, é menos polêmica que a edição de genes de embriões, que volta e meia levanta a suspeita de que alguém quer produzir bebês perfeitos.


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