• Sandra Carvalho

A primeira vacina contra Covid será de... Moscou!

As autoridades russas se preparam para liberar a vacina em uma semana.


Moscou: sede do desenvolvimento da vacina contra Covid | Foto: cc Prefeitura de Moscou/ Wikimedia Commons

A Rússia atropelou americanos, britânicos, chineses e alemães e está prestes se tornar o primeiro país do mundo a aprovar uma vacina contra Covid-19. O sinal verde pode ser dado até o dia 10. A vacinação em massa está prevista para outubro.


A pandemia do novo coronavírus atingiu proporções gigantescas na Rússia, com mais de 14 mil mortes e 855 mil pessoas contaminadas, segundo os dados da Universidade Johns Hopkins. É o quarto país do mundo mais atingido, logo atrás de Estados Unidos, Brasil e Índia.


A vacina russa, até agora, está carregada de mistério. Nenhum estudo foi publicado em jornais científicos até o momento, nem qualquer pesquisador russo entrou detalhes sobre o projeto - o que deixa perguntas sobre a eficácia e a segurança da vacina sem respostas.


A vacina se baseia em vetores de adenovirus humanos enfraquecidos, de forma que não se repliquem. Deve ser aplicada em duas doses com intervalo de 21 dias. Foi desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisas de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, de Moscou.


Na fase inicial, a vacina foi testada em 40 voluntários militares. Segundo a agência de notícias Bloomberg, também foi aplicada desde abril em membros da elite russa, como executivos da companhia de alumínio Rusal e membros do governo.


Alexander Ginsburg, que comanda o projeto da vacina, disse à CNN que ele próprio se aplicou a vacina.


Rápido, rápido, rápido!


Os testes da fase 2 dos ensaios clínicos acabam de terminar, e os da fase 3 ainda não começaram.


A vacina é financiada pelo fundo de investimentos soberano estatal RDIF. De acordo com Kirill Dmitriev, que comanda o fundo, a expectativa é que se possa produzir 200 milhões de doses da vacina com parceiros internacionais até o fim de 2020.


Para Dmitriev, esse é um "momento Sputnik" da Rússia. O país lançou ao espaço em 1957 o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik 1, surpreendendo o mundo com o poder da ciência espacial russa.


Neste início de agosto, começa a fase 3 dos ensaios clínicos na Rússia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.


Segundo o ministro da Saúde da Rússia, Mikhail Murashko, eles serão feitos com 800 pessoas. Já a vice-primeira-ministra Tatyana Golikova afirmou que são 1.600 pessoas.


Seja como for, caso se confirmem, são números bem baixos se comparados com os gigantescos testes em massa feitos por outros desenvolvedores de vacinas. Nessa fase, os testes costumam envolver milhares e milhares de pessoas, chegando às vezes a até 30 mil.


Com o desenvolvimento vaptvupt da vacina, a Rússia está dando novo sentido à palavra fast-track. Com a aprovação da vacina no dia 10, ou ainda antes, já poderá começar a vacinação de profissionais de saúde, que ocorrerá paralelamente aos testes clínicos.


Contagem regressiva


Em setembro começa a produção em massa da vacina, de acordo com Golikova, para que a vacinação em massa se inicie em outubro. As vacinas serão produzidas pelas empresas Generium, R-Pharm, e Binnopharm, segundo o ministro da Indústria e Comércio, Denis Manturov.


Concorrentes ocidentais da vacina, como o americano Anthony Fauci, da força-tarefa de combate ao coronavírus dos Estados Unidos, estão levantando dúvidas por causa do cronograma radicalmente acelerado dos russos.


Ninguém no globo está desenvolvendo vacina contra o novo coronavírus no velho prazo médio de 10 anos, mas os russos superaram todo mundo na correria.


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