• Sandra Carvalho

A sexta extinção em massa está mais veloz

É o que afirmam cientistas que estudaram o declínio atual dos animais vertebrados.


Animais com população de até 1.000 indivíduos* | Fotos: cc 4.0 Rhett Butler, Claudio Contreras Koob e G.C

No século 20, pelo menos 543 espécies de animais vertebrados que viviam em terra foram extintos. O século 21 será mais impiedoso - aproximadamente o mesmo número de animais desaparecerá nas próximas duas décadas.


A advertência é dos mesmos cientistas que alertaram o mundo, em 2015, que a sexta extinção em massa estava em curso. Agora eles voltaram a analisar milhares de espécies de vertebrados e notaram que a velocidade de extinção está se acelerando.


O novo estudo foi publicado no jornal PNAS e divulgado pela Universidade Stanford.


"A conservação das espécies ameaçadas deve ser considerada uma emergência nacional e global pelos governos e instituições, na mesma medida da disrupção do clima à qual está ligada", afirmou o biólogo Paul Ehrlich, de Stanford, um dos autores do estudo.

"O que nós fizermos nas próximas duas décadas definirá o destino de milhares de espécies. Extinção gera extinção."

Entre as causas da extinção, os cientistas apontam pressões humanas como crescimento populacional, destruição de habitats, comércio de animais selvagens, poluição e mudança de clima.


Eles verificaram que 515 espécies de animais vertebrados terrestres - 1,7% das espécies analisadas - estão à beira da extinção, com menos de 1.000 indivíduos sobreviventes.


Analisando as perdas acumuladas dessas 515 espécies desde 1900, eles constataram que 237 mil populações haviam desaparecido.


"O que nós fizermos para lidar com a crise atual de extinção nas próximas duas décadas definirá o destino de milhares de espécies", observou o pesquisador Gerardo Ceballos, do Instituto de Ecologia da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e autor principal do estudo.


Os cientistas avisam que a extinção dessas espécies terá um efeito dominó sobre outros animais. É que 85% das espécies com população inferior a 5.000 vive nas mesmas áreas das espécies com menos de 1.000. "Extinção gera extinção", eles escrevem.


*Quatro espécies com menos 1.000 ou menos indivíduos: rinocente-de-sumatra (Dicerorhinus sumatrensis), carriça da ilha Clarion (Troglodytes tanneri), tartaruga-gigante-espanhola (Chelonoidis hoodensis) e sapo-arlequim (atelopus varius).


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