O pesadelo de viver em estado vegetativo para sempre pode acabar

Cientistas franceses sugerem que a consciência pode ser restaurada.


Acima: cérebro antes da estimulação do nervo vago. Abaixo: depois da estimulação | Ilustração: Corazzol et al

A suposição de que ninguém sai do estado vegetativo depois de 12 meses inconsciente acaba de levar um choque de realidade. Cientistas franceses acabam de provar que a consciência pode ser restaurada, mesmo depois de muito tempo.


Eles restauraram a consciência mínima de um paciente que estava em estado vegetativo havia 15 anos. Seu estudo foi publicado ontem no jornal Current Biology.


A experiência foi conduzida pelo Instituto de Ciências Cognitivas Marc Jeannerod e pelo Hospital Neurológico Pierre Wertheimer, de Lyon, na França.


Os cientistas implantaram um estimulador do nervo vago no peito de um homem de 35 anos que havia sofrido um acidente de carro 15 anos atrás e desde então vegetava.


O nervo vago conecta o cérebro a várias partes do corpo, desempenhando funções básicas como acordar e ficar em alerta, entre outras.


Depois de um mês de estímulos, o paciente melhorou sua atenção, movimentos e atividade cerebral. Passou a seguir objetos com os olhos, voltar a cabeça quando os médicos pediam, ficar acordado quando sua terapeuta lia um livro para ele.


Mais consciência


Quando alguém se aproximava de seu rosto, ele começou a arregalar os olhos, surpreso.

Em eletroencefalografias, sinais de ondas teta aumentaram significativamente em áreas que envolvem movimento, sensação e consciência.


Tomografias também indicaram um aumento de atividade metabólica no cérebro.


Você pode observar as mudanças no cérebro na imagem de cima. As duas superiores são antes da estimulação do nervo vago. As debaixo, com muito mais áreas vermelhas, são depois da estimulação.


Segundo os cientistas, a experiência de Lyon indica que a intervenção correta pode levar a mudança no estado de consciência mesmo nos casos clínicos mais severos.


"A plasticidade do cérebro e a reparação do cérebro ainda são possíveis quando toda esperança parece ter desaparecido", observou uma das cientistas do estudo, Angela Sirigu, do Instituto de Ciências Cognitivas Mar Jeannered, num comunicado da editora Cell Press.


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