• Sandra Carvalho

Vacina chinesa da Sinopharm: uma opção para o Brasil?

Segundo testes nos Emirados Árabes, sua eficácia é de 86%.


Vacinas contra Covid genéricas
Vacina contra Covid: o produto mais cobiçado e disputado do mundo hoje | Foto: cc0 Daniel Schludi/Unsplash

As atenções dos brasileiros se concentram hoje nas vacinas contra Covid-19 da Pfizer, AstraZeneca e Sinovac. Mas há novas opções surgindo - como a da vacina da farmacêutica estatal chinesa Sinopharm, que acaba de ser aprovada para uso em massa nos Emirados Árabes Unidos (EAU).


Segundo o Ministério da Saúde e Prevenção dos Emirados, testes com 31 mil pessoas de 125 nacionalidades feitos no país indicaram a segurança e uma eficácia de 86% da vacina.


Essa vacina é um produto de um braço de biotecnologia da Sinopharm, o CNBG, numa parceria com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim.


Até agora, o CNBG não se manifestou sobre os resultados preliminares promissores, deixando toda a comunicação aos Emirados.


A vacina se baseia numa versão quimicamente inativada do novo coronavírus e é aplicada em duas doses. A tecnologia já é bem madura, usada em vacinas tradicionais como as de pólio e gripe. Tem a vantagem de poder se armazenada em temperatura de geladeiras comuns (entre 2º e 8º C).


Sem casos graves nem moderados


As fases 1 e 2 dos ensaios clínicos foram feitas na própria China, mas a fase 3, conclusiva, está sendo realizada fora de lá. O risco de Covid-19 no país é tão baixo há meses que inviabiliza esse tipo de teste.


Nos Emirados Árabes, os resultados preliminares da fase 3 foram revisados pelo próprio Ministério da Saúde e Prevenção e pelo Departamento de Saúde de Dubai.


De acordo com os resultados divulgados, além de ter uma taxa de eficácia de 86%, a vacina induz à produção de anticorpos neutralizadores do SARS-CoV-2 em 99% das pessoas. Mais importante: chega a prevenir 100% dos casos graves e moderados da doença.


Segundo o jornal South Morning China Post, o SMCP, de Hong Kong, os testes foram feitos em pessoas de 18 a 60 anos de idade, deixando no ar perguntas sobre a eficácia da vacina em pessoas mais velhas, justamente as mais vulneráveis a casos graves e fatais da Covid-19.


Cerca de mil pessoas com doenças crônicas foram incluídas nos testes, conforme o jornal Khaleej Times.


A vacina já vinha sendo aplicada em profissionais de saúde da linha de frente da pandemia nos Emirados num esquema de emergência desde setembro.


Inteligência artificial


A cúpula do governo, desde o primeiro-ministro, xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, homem forte de Dubai, também já foi imunizada.


Os Emirados, com 9 milhões de habitantes, registraram até agora mais de 180 mil casos da doença e 598 mortes, conforme os dados da Universidade Johns Hopkins.


A condução do teste nos Emirados ficou a cargo da divisão de saúde do Group 42, uma empresa de inteligência artificial e computação em nuvem de Abu Dhabi. Os protocolos médicos foram definidos pela Seha, companhia de saúde pública da cidade.


O objetivo inicial era recrutar apenas 15 mil voluntários para o ensaio clínico, mas em seis semanas 31 mil pessoas se inscreveram.


Com os resultados animadores obtidos, os Emirados já anunciaram o retorno de todas as atividades da economia, turismo, cultura e entretenimento dentro de duas semanas, segundo noticiou a BBC.


Sem publicação científica


O teste da vacina do CNBG nos Emirados faz parte de um ensaio clínico mais amplo, de 45 mil pessoas, que inclui Bahrain, Jordânia e Egito. Outros testes estão sendo feitos no Peru, Argentina e Marrocos.


Ainda não está claro porque o CNBG não se pronunciou sobre os resultados preliminares tão favoráveis de sua vacina nos Emirados.


A Sinopharm também não comentou o assunto, mas mesmo assim foi beneficiada com a disparada do preço de suas ações na bolsa de Xangai.


Ainda não há previsão oficial de divulgação de mais detalhes da vacina nem de publicação dos resultados preliminares em periódicos científicos.


As estimativas são de que 1 milhão de pessoas já foram vacinadas contra Covid-19 num esquema emergencial na China, mas não há informações detalhadas com qual ou quais vacinas, já que o país desenvolve várias delas.


Reforço para o Brasil?


O próprio CNBG desenvolve duas vacinas com vírus desativado: a registrada nos Emirados, com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim, e outra com o Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan.


Em novembro, o presidente da Sinopharm, Liu Jingzhen, declarou que a empresa tinha capacidade de produzir mais de 1 bilhão de doses de vacinas contra a Covid-19 em 2021, sem especificar o tipo.


"A China não só tem a vontade política, mas uma capacidade robusta de fazer isso acontecer", afirmou, conforme relato da CNN.


Uma oportunidade a mais para o Brasil reforçar sua precária e mal resolvida cadeia de fornecimento de vacinas contra a Covid-19? Obviamente sim.


Veja mais: China proíbe a criação de 45 animais selvagens


#EAU #Sinopharm