• Sandra Carvalho

A vida miserável dos elefantes que divertem os turistas na Tailândia

Longe da vida selvagem, eles levam vida de escravo com as empresas de entretenimento.

Animal acorrentado :  vida de escravo para atrair turistas   | Foto: World Animal Protection (WPA)

A pior coisa que pode acontecer hoje em dia com um elefante asiático solto na natureza em Mianmar é ser capturado e contrabandeado para Tailândia, para ser exibido para turistas.


Exibido, montado, apresentado em shows e submetido a condições de vida cativa chocantes.


É o que mostra o estudo Elephants Report - Taken for a Ride, da World Animal Protection, a WAP . A ONG está empenhada em livrar os elefantes asiáticos da indústria do entretenimento local.


A pesquisa abrangeu 2.923 elefantes na Tailândia, Laos, Camboja, Nepal, Sri Lanka e Índia. Três em cada quatro animais estavam vivendo em más condições.


Mais de 2.000 elefantes pesquisados eram usados para montaria, com sela. Fora da hora do show, eram acorrentados, dia e noite, a maior parte do tempo com correntes de menos de três metros, segundo narra o relatório.


Os elefantes também eram mal alimentados, recebiam poucos cuidados veterinários e eram mantidos em solo de concreto, perto de música alta, estradas ou grupo de visitantes.


De acordo com o estudo, maus tratos aumentam na mesma proporção em que se obriga os elefantes a exibir comportamentos muito distantes da vida selvagem.


Exemplos: passear com turistas montados em suas costas, interagir com eles para selfies, se apresentar em shows como se fossem animais totalmente domesticados.


Há casos na Tailândia de usar elefantes até para jogo de futebol.


 Divertimento sem noção na Tailândia: o elefante vira montaria de jogos    |   Foto: cc0  Niki Vogt/ Pixabay

Elefantes bem tratados aparecem numa minoria de atrações turísticas, principalmente naquelas em que eles podem ser vistos à distância, na natureza, interagindo com outros elefantes, afirma o relatório.


Só 194 elefantes cativos em 13 locais foram encontrados bem tratados, em lugares em que os turistas não podiam montar neles e onde não havia shows.


487 elefantes pesquisados estavam numa situação intermediária - mantidos em melhores condições, apesar de ainda inadequadas. Mas tinham tratadores bem preparados e atenciosos e a maioria não colocava sela nos animais. Os elefantes também trabalhavam menos horas.


Não são só os elefantes vivem em condições precárias: na maioria dos locais de turismo, seus treinadores, que dependem deles para sobreviver, também, conforme indica o relatório da WAP.


A Tailândia tem a maior parte dos animais em cativeiro para entretenimento na Ásia. Veja os números do estudo.



O negócio é próspero: o número de locais que explora elefantes para turismo aumentou 30% desde 2010, casado com o boom do turismo no país.


No geral, os turistas não costumam ter ideia do que existe por trás da indústria que trabalha com os animais. Pensa-se que elefantes são dóceis e domesticados.


Errado: a imensa maioria é capturada nas selvas e é domada e treinada. Continua representando perigo para os turistas e os tratadores, porque são animais selvagens.


Segundo o estudo, entre 2010 e 2016, a mídia reportou 17 mortes e 21 ferimentos graves de pessoas por elefantes cativos.


Não é a indústria de turismo em bloco que explora os elefantes de forma cruel. Cerca 160 agências de turismo, inclusive o TripAdvisor, já pararam de vender ingressos para shows e passeios em que se anda nos elefantes, segundo a WAP. Elas comercializam atividades que são amigáveis aos animais.


O estudo sobre os elefantes da WAP foi bancado, inclusive, por duas fundações de grupos turísticos: a TUI Care Foundation e a Intrepid Foundation.


Espécie ameaçada


Elefantes asiáticos são considerados uma espécie ameaçada e estão na Lista Vermelha da União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) .


A estimativa é que haja hoje de 38 mil a 52 mil elefantes asiáticos.


A população selvagem se espalha desigualmente por 13 países. Há menos de 200 elefantes selvagens em Bangladesh, Butão, China, Nepal e Vietnã (por país).


Na Tailândia vivem entre entre 2500 e 3200, de acordo com o estudo da WAP. Na Índia, mais ainda - estima-se um número entre 23,9 mil e 32 mil.


A população cativa representa entre um quarto e um terço de todos os elefantes asiáticos, segundo a pesquisa. Nem todos são explorados pelo turismo, claro. Vivendo em cativeiro ou em condições semi-selvagens, são usados também para trabalho nas vilas e e templos religiosos.


#AnimaisAmeaçados #AnimaisMaltratados #Elefantes #ListaVermelha #Tailândia #Turismo