• Sandra Carvalho

Acharam mesmo um escudo eficaz contra o coronavírus na Califórnia?

Não jogue já as máscaras fora. Esse escudo ainda é apenas uma possibilidade.


Street art de Glasgow, na Escócia | Foto: cc0 Colin D/Unsplash

A biofarmacêutica Sorrento Therapeutics, de San Diego, na Califórnia, diz ter encontrado um anticorpo, o STI-1499, que bloqueia 100% das infecções pelo novo coronavírus. Detalhe: por enquanto, só testou o anticorpo in vitro, em seu laboratório.


Não é e nem pretende ser uma cura para a Covid-19. É um tratamento, chamado Covi-Guard, para dar uma proteção provisória contra o vírus. Cada dose daria proteção por algum tempo, e seria reaplicada até que uma vacina fosse descoberta e comercializada.


A Sorrento é uma empresa pequena, de pouco mais de 300 funcionários, com valor de mercado de 1,1 bilhão de dólares, especializada em produtos biofarmacêuticos para tratamento de câncer e de controle da dor, bastante centrada em anticorpos.


Segundo a Sorrento, o anticorpo STI-1499 inibe completamente in vitro as infeççoes do novo coronavírus em seus estudos pré-clínicos, mesmo em concentração muito baixa.


Com o anúncio do anticorpo, as ações da Sorrento dispararam na semana passada, mas nesta já desabaram.


A euforia nunca foi uniforme. O Wall Street Journal, que faz talvez o mais preciso acompanhamento da indústria de biotecnologia, cravou: "Seja 100% cético da cura de 100% do coronavírus".


O objetivo inicial da Sorrento era desenvolver um coquetel de anticorpos, chamado Covi-Shield, para montar um escudo protetor capaz de dar conta das mutações do SARS-CoV-2 ao longo do tempo, sem se tornar obsoleto. Por isso, testou bilhões de anticorpos humanos de sua biblioteca.


A empresa diz ter encontrado cerca de uma dúzia de anticorpos com capacidade de bloquear a entrada do vírus em células humanas. Nesse processo, o anticorpo STI-1499 se destacou tanto que a empresa resolveu desenvolvê-lo como uma terapia à parte, batizada de Covi-Guard.


Os planos para o coquetel continuam, e o STI-1499 será o primeiro anticorpo utilizado nele.


Por enquanto, o estudo do STI-1499 não foi publicado em revista científica e aguarda resultados de uma revisão de pares, de acordo com a FastCompany.


A empresa afirma que tem capacidade de produzir até 200 mil doses do Covid-Guard por mês, que poderiam ser usadas para testes em humanos.


Antecipa também que vai fabricar 1 milhão de doses sob risco enquanto aguarda a aprovação para seguir em frente da FDA, agência americana que regula os remédios e os alimentos nos Estados Unidos.


O projeto soa mais fácil do que é no discurso da Sorrento. Menos de 1 entre 5 drogas experimentais contra doenças infecciosas que chegam até os ensaios clínicos conseguem a aprovação da FDA.


Por enquanto, o currículo da Sorrento é modesto. A empresa tem um único produto aprovado até o momento, o ZTlido, contra herpes zoster, lançado menos de dois anos atrás. Com o ZTlido, a Sorrento fez seu único ensaio clínico completo até o momento.


A alma da empresa é o empreendedor Henry Ji, 55 anos, que fez Bioquímica na Universidade Fudan, de Xangai, e se tornou Ph.D em Fisiologia Animal na Universidade de Minnesota.


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