• Sandra Carvalho

Acidente de trabalho: 1 a cada 49 segundos no Brasil

Para diminuir esses números, mais empresas precisam por fim à própria negligência.


Lama da Vale em Brumadinho: o maior acidente de trabalho da história no país | Foto: cc Isac Nobrega/Agência Brasil

Acidentes de trabalho matam mil pessoas por dia no mundo. A estatística, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), é duplamente trágica, porque quase todas essas mortes poderiam ser evitadas.


Por que tantos acidentes fatais? Se a prevenção melhorou nas fábricas e escritórios em geral nas últimas décadas, não melhorou em todos os lugares.


Prevenção exige investimentos - em tecnologia e equipamentos mais seguros, treinamento constante de funcionários, ambiente trabalho sem stress excessivo ou jornadas longas demais que levem as pessoas à fadiga e consequente distração...


Para certas empresas, esses investimentos são custos desnecessários, que vão atrapalhar sua vantagem competitiva no mercado. Elas preferem viver o que a OIT chama de ciclo de negligência, até que algo rompa com essa atitude.


No caso da mineradora Vale, a ruptura virá com a tragédia de Brumadinho, o maior acidente de trabalho da história no Brasil, que custou a vida de pelo menos 128 funcionários diretos da empresa?


Isto sem falar nas pessoas contratadas pelas empresas que prestavam serviço para a Vale no local ou nos moradores das redondezas. Até agora, 259 mortos foram identificados.


Antes de Brumadinho, o maior acidente de trabalho no Brasil tinha sido o desabamento de um galpão em Belo Horizonte, em 1971, com 69 mortos.


Entre 2012 e 2018, houve 4,5 milhões de acidentes de trabalho no país, um a cada 49 segundos, de acordo com as estimativas do Observatório Digital de Segurança e Saúde do Trabalho. A cada 3 horas e 40 minutos, uma pessoa morreu por causa deles.


Os cortes e lacerações foram os ferimentos mais comuns: 21,02%. Depois, vieram as fraturas: 17,46%. Contusões e esmagamentos responderam com 15,67%. Amputações, 1,09%.


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