• Sandra Carvalho

Acupuntura pode domar inflamação?

Pelo menos em ratos é isso o que acontece, dizem cientistas de Harvard.


Modelo com marcações de acupuntura: técnica milenar | Foto: cc0 Acupuncture Box/Pixabay

Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Harvard conseguiram controlar tempestades de citocinas em ratos com inflamação sistêmica com o uso de acupuntura, a técnica milenar da medicina tradicional chinesa.


Qual a importância disso? Tempestades de citocinas são reações imunológicas exageradas e descontroladas que podem levar à morte. Têm chamado muito a atenção recentemente por ocorrerem em casos graves de Covid-19, mas podem acontecer em muitas outras doenças.


As tempestades de citocinas uma característica de sepse, ou septicemia, que é frequentemente fatal e atinge 30 milhões de pessoas por ano no mundo. Principal causa de morte nas UTIs no Brasil, a sepse foi um dos focos da pesquisa.


Em testes de laboratório, os cientistas usaram a acupuntura para provocar respostas pró-inflamatórias e anti-inflamatórias em modelos de ratos com inflações sistêmicas bacterianas.


Num dos testes feitos, os pesquisadores aplicaram eletroacupuntura de baixa intensidade (0,5 miliamperes) nas pernas traseiras de ratos com tempestade de citocinas causada por uma toxina bacteriana.


Entre os animais tratados com acupuntura , 60% sobreviveram. Entre os que não receberam o tratamento, apenas 20% sobreviveram.


Em outro teste, os pesquisadores aplicaram eletroacupuntura de alta intensidade (3 miliamperes) nas pernas traseiras e no abdômen de ratos com sepse. A aplicação foi feita em caráter preventivo, antes de uma tempestade de citocinas se desenvolver.


A taxa de sobrevivência nesse caso foi maior ainda: 80% entre os ratos tratados com acupuntura precocemente. Entre os outros ratos, sem tratamento, a taxa foi de 20%.


Infelizmente, não será tão cedo que a acupuntura se transformará numa terapia contra as tempestades de citocinas.


"Nosso estudo ilustra que a eletroacupuntura tem base neuroanatômica, mas sua eficácia e segurança em humanos precisa ser validada por ensaios clínicos", advertiu Qiufu Ma, professor de neurobiologia de Harvard, um dos autores do estudo.


A pesquisa foi publicada no jornal Neuron.


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