• Sandra Carvalho

Adolescentes imunes ao poder das risadas? Mau sinal

Isso indica maior risco de alguém se tornar psicopata, segundo cientistas ingleses.


Indiferença a risadas: crianças e adolescentes com propensão a probelmas | cc0 Gerd Altmann

Para a maioria das pessoas, resistir a uma boa risada é difícil. Basta ver alguém dando uma gargalhada que dá vontade de rir junto. Mas adolescentes com risco de se tornar psicopatas tendem a ser mais indiferentes ao poder contagiante das risadas.


Pelo menos é o que afirmam pesquisadores da Universidade College London (UCL). Eles definem garotos com risco de se tornarem psicopatas como indivíduos com comportamento consistentemente disruptivo e com características de insensibilidade e ausência de emoções.


Seu estudo foi publicado no jornal Current Biology e divulgado pelo publisher Cell Press ontem.


"Não é apropriado rotular crianças de psicopatas, pois psicopatia é uma desordem de adultos", disse Essi Viding, uma das autoras do estudo, no comunicado da Cell Press. "Mas sabemos que há certas crianças e adolescentes com risco maior de desenvolver psicopatia, e examinamos as características que indicam esse risco."


Viding e equipe fizeram testes com 62 garotos de comportamento disruptivo entre 11 e 16 anos, com ou sem característica de insensibilidade e ausência de emoções. Testaram também 30 garotos de comportamento considerado normal, para controle.


Eles capturaram a atividade do cérebro dos garotos com ressonância magnética funcional (fMRI, na sigla em inglês) enquanto eles ouviam risadas genuínas intercaladas com risadas forçadas e gritos.


Todos os garotos testados mostraram atividade cerebral diante das risadas genuínas. Mas os garotos de comportamento disruptivo combinado com característica de insensibilidade e ausência de emoções reportaram menos desejo de rir do que todos os outros.


Eles também exibiram atividade cerebral reduzida na ínsula anterior e na área motora suplementar, regiões do cérebro que facilitam a identificação com as emoções de outras pessoas, levando-as, por exemplo, a rir junto quando alguém dá uma risada.


"Isso não significa que essas crianças e adolescentes estejam destinados a se tornar antissociais ou perigosas", observou Viding. "Esses achados jogam uma nova luz sobre por que eles fazem escolhas diferentes de seus pares."


#Adolescentes #Crianças #fMRI #MRI #Psicologia #Risada #TranstornosMentais #UCL