• Sandra Carvalho

Agora já dá para confiar na vacina russa, a Sputnik V?

Se der, seria mais uma opção para o Brasil sair do atoleiro em vacinas contra Covid-19.


Vacina contra Covid-19 genérica
Vacina: dados mais objetivos da opção russa | Foto: cc0 Nataliya Vaitkevich/Pexels

A primeira vacina russa contra Covid-19, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Epidemiologia e Microbiologia de Moscou, já foi muito malhada, pela pressa com que saiu do laboratório.


A vacina foi aprovada pelas autoridades sanitárias russas em agosto, antes mesmo da realização da fase 3 dos testes clínicos, e foi aplicada em milhares de pessoas sem que conhecessem dados detalhados sobre sua segurança e eficácia.


Mas isso começou a mudar essa semana, com a divulgação dos dados da fase final dos ensaios clínicos pelos desenvolvedores do Gamaleya e pelo fundo soberano de investimentos russo, o RDIF, que bancou a Sputnik V desde o início.


Mais de 26 mil voluntários de até 60 anos de idade participaram da fase 3 dos ensaios clínicos, num estudo duplo-cego, randomizado e controlado por placebo.


Os resultados foram muito animadores - a taxa de eficácia registrada no teste chegou a 91,4%, calculada com base nos dados de 22.714 voluntários que receberam duas doses da vacina ou de placebo.


No teste, houve 78 casos confirmados de Covid, 20 deles graves. Todos os casos graves ocorreram com pessoas que tinham recebido placebo. Ou seja, a vacina evitou a doença em 9 de cada 10 pessoas imunizadas e protegeu todas de formas severas de Covid-9.


Segundo os desenvolvedores, os resultados de eficácia mostraram coerência ao longo das fases 1, 2 e 3 dos ensaios clínicos. Na fase 1, a eficácia foi calculada em 92%, e na 2, 91,4%, mesmo percentual da terceira e última fase.


Quanto à segurança, os cientistas do Gamaleya disseram que não houve eventos adversos inesperados na pesquisa, e que vão monitorar a saúde das pessoas vacinadas por pelo menos mais seis meses.


As reações à Sputnik mencionadas foram dor no local da injeção e sintomas similares aos da gripe, como febre, fraqueza, fadiga e dor de cabeça.


De acordo com os desenvolvedores, os resultados serão publicados num jornal científico com revisão de pares. Um relatório com os dados será elaborado para acelerar o registro da Sputnik em vários países.


A Sputnik é aplicada em duas doses, com intervalo de 21 dias entre elas.


A vacina usa como vetores dois adenovírus do resfriado humano geneticamente modificados a fim de induzir imunidade em relação à Covid-19.


O comunicado do Instituto Gamaleya e do RDIF não fez menção específica à eficácia da vacina para idosos, os mais vulneráveis a formas graves e fatais de Covid-19, mas a Sputnik V sempre foi apresentada na Rússia como um imunizante para o público entre os 18 e os 60 anos de idade, não para pessoas mais velhas.


Em outubro, o Ministério da Saúde aprovou ensaios clínicos separados para as pessoas acima de 60, mas tudo indica que ainda não foram concluídos.


A campanha atual de vacinação na Rússia com a Sputnik V, aliás, exclui todas as pessoas com mais de 60 anos, da mesma forma que grávidas e pessoas com problemas respiratórios nas últimas duas semanas.


Veja mais: Vacina da Sinopharm pode ter OK da China até o fim do mês


#Rússia #Idosos