• Sandra Carvalho

Água do mar, sol do deserto e... tomates!

A Sundrop Farms planta tomates dentro de estufas com energia solar no deserto australiano.


 Sundrop Farms: no deserto da Austrália   |  Imagem: reprodução Sundrop/Vimeo

A fazenda do futuro tem a cara de uma fábrica, não de uma plantação comum.


Veja o que a Sundrop Farms está aprontando no deserto do sul da Austrália, um dos meio ambientes mais áridos do mundo, perto da cidade de Port Augusta.


Lá a Sundrop Farms busca a energia do sol, a água do mar e produz tomates para abastecer 10% das necessidades do país.


Detalhe: sem alterações genéticas nas plantas. Tudo cresce dentro de estufas abastecidas de água, nutrientes e luz independentemente do que está acontecendo lá fora.


Dentro das estufas, não existe inverno, verão... Para dar uma ideia do poder do sistema de energia solar utilizado para manter a fazenda, são 23 mil espelhos refletindo os raios de sol.

É uma cultura hidropônica, que dispensa terra e usa, em vez disso, cascas de côco.


A água do mar vem do golfo de Spencer, no Oceano Índico, a cerca de três quilômetros, e é dessalinizada e reutilizada.


Agrotóxicos? Nada disso. O controle de pragas é natural, feito com outras pragas, sem o uso de venenos.


A tecnologia é de ponta, mas os tomates são colhidos à mão.


Esses vídeos hospedados no Vimeo, falados em inglês, dão uma boa ideia visual da plantação. Desconte a autopromoção, porque é o time da Sundrop Farms vendendo o seu peixe - ops, o seu tomate.




Esses tomates do deserto já abastecem 750 lojas da rede australiana de supermercados Coles, uma das maiores do país.


Foi justamente um contrato de abastecimento de longo prazo com a rede que permitiu um investimento tão alto no deserto australiano.


Segundo o Weekend Australian, foram colocados na fazenda mais de 130 milhões de dólares.

A Sundrop é uma startup ainda nova, mas com músculos de gente grande. Nasceu de um alemão milionário, Phililpp Saumweber, que se cansou do mercado financeiro, e de uma equipe que tem gente de mundo inteiro.


"Este é o futuro", disse Saumweber ao jornal australiano. "Assim como a revolução verde dos anos 70 nos deu tratores maiores, mais variedades de sementes e uma melhor irrigação, o próximo passo gigante na produção de alimentos será a intensificação sustentável da agricultura - fazer mais com menos numa escala maior e com maior eficiência."