• Sandra Carvalho

Amizade entre humanos e cães já tem 11 mil anos

Cachorros são nossos parceiros mais antigos e próximos, mostra um estudo de DNA.


O melhor amigo do homem: história antiga | Foto: cc0 Sven Lachmann/Pixabay

Testes de DNA de cães antigos, da Europa, Oriente Próximo e Sibéria, mostraram como é longa a convivência próxima entre os humanos e os cachorros. Data de 11 mil anos atrás, logo depois do fim da era do gelo.


Nessa época, nenhum outro animal havia sido domesticado.


Cientistas das universidades de Oxford e Viena e do Instituto Francis Crick, de Londres, lideraram um time internacional de arqueólogos para estudar a evolução do cão e seu relacionamento com os humanos. Eles sequenciaram o DNA de 27 cachorros.


"Os cães são nosso mais antigo e mais próximo parceiro do mundo animal", observou Greger Larson, da Universidade de Oxford, um dos autores do estudo.


"O DNA dos cachorros antigos nos mostra quão longe vai a nossa história compartilhada e no fim das contas vai nos ajudar a entender quando e onde esse relacionamento profundo começou", completou.


O estudo foi publicado na revista Science. Mostra que a história humana e a dos cães convergem em muitos pontos, porque os homens tendiam a levar os cães para onde iam.


Cachorro de 10.900 anos atrás e lobo moderno, ambos da Rússia | Imagem: E. E. Antipina

Segundo os pesquisadores, 11 mil anos atrás havia pelo menos cinco diferentes tipos de cachorro com ancestrais geneticamente distintos.


"Algumas das variações que se vê nos cachorros que andam pelas ruas hoje se originou na era do gelo", afirmou Pontus Skoglund, outro autor do estudo. "No fim desse período, os cães já haviam se espalhado pelo hemisfério norte."


A pesquisa mostrou que ao longo dos últimos 10 mil anos essas primeiras linhagens de cachorros se misturaram para dar origem aos cachorros atuais.


Na Europa, houve até certo tempo dois tipos bem diferentes de cachorros, um tipo do Oriente Próximo e outro da Sibéria. Por volta de 5.000 anos atrás, a diversidade ainda era grande, mas daí em diante foi diminuindo.


"Embora os cachorros europeus hoje existam com uma gama extraordinária de formas, geneticamente eles derivam de apenas um subconjunto bem estreito da diversidade que existia no passado", explica Anders Bergström, do Instituto Francis Crick, um terceiro autor do estudo.


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