• Sandra Carvalho

Antidepressivos invadem o cérebro de peixes no rio Niágara

Prozac, Zolof e Celexa são alguns dos remédios que deixam seus rastros no rio.


Rio Niágara: peixes com traços de Prozac e Zolof   |  Foto: cc0 Pixabay

Os peixes do rio Niágara, na região dos Grandes Lagos, entre o Canadá e os Estados Unidos, estão acumulando antidepressivos em seus cérebros.


Como eles vão parar no rio? Através de estações de tratamento que vazam resíduos de remédios e produtos de higiene pessoal no rio Niágara e no lago Erie.


A constatação foi feita por cientistas da Universidade de Buffalo (UB), em estudo publicado no jornal Environmental Science & Technology no dia 16 de agosto.


Foram encontrados no cérebros de 10 diferentes espécies de peixes ingredientes ativos dos remédios Celexa, Prozac, Sarafem e Zolof.


"Os peixes estão recebendo este coquetel de drogas 24 horas por dia, e agora nós estamos encontrando essas drogas em seu cérebro", afirmou uma das cientistas, Diana Aga, ao serviço de notícias da universidade.


"O nível de antidepressivos não coloca risco para os humanos que comem esses peixes, especialmente nos Estados Unidos, onde não se costuma comer o cérebro dos peixes, mas é um risco para a biodiversidade", disse Randolph Singh, um dos autores do estudo.


De acordo com a pesquisa, os americanos aumentaram 65% o uso de antidepressivos de 2002 a 2014, mas as estações de tratamento de esgoto ignoram esses resíduos, focando nas bactérias que podem causar doenças.


Os efeitos práticos dos antidepressivos sobre os peixes ainda precisam ser estudados. O temor é que eles alterem o comportamento dos peixes, prejudicando o equilíbrio natural do ecossistema do rio e dos lagos da região.


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