Antraz pode acabar com chimpanzés em parque da Costa do Marfim

O antraz, causado por uma bactéria, afeta tanto pessoas quanto animais na África.


Chimpanzés:  mais sensíveis à bactéria do antraz |  Foto: MPI f. Evolutionary Anthropology/L.Samuni

Antraz é mais conhecido como arma biológica quase perfeita, mas mata também na natureza, insidiosamente. Os chimpanzés do Parque Nacional Taï, na Costa do Marfim, podem ser extintos por causa dessa doença.


O alerta veio de uma equipe multinacional de cientistas dos institutos alemães Robert Koch e Max-Planck de Antrologia Evolutiva, da Universidade de Glasgow, na Escócia, e do Instituto de Saúde Animal da Costa do Marfim.


Seu estudo sobre o impacto do antraz na mortalidade dos chimpanzés foi publicado hoje no jornal científico Nature.


Normalmente antraz é causado pela bactéria Bacillus anthracis. É comum nas regiões áridas da África, afetando tanto gado quanto pessoas.


Mas no caso dos chimpanzés, os cientistas verificaram que havia uma outra bactéria causando antraz: a Bacillus cereus biovar anthracis. Ela já vinha provocando mortes em chimpanzés, gorilas e elefantes em Camarões e na República Centro-Africana.


No estudo, os pesquisadores analisaram ossos e tecidos em carcassas recolhidas ao longo de 28 anos no Parque Nacional Taï. Eles analisaram também moscas necrófagas da área.


Depois, compararam com ossos e moscas de outras 16 regiões da África subsaariana. Com o sequenciamento do genoma da bactéria, feito em Glasgow, foi possível fazer a ligação entre as vítimas de antraz.


Por que o Parque Taï?


"Para nossa surpresa, quase 40% das mortes dos animais no Parque Nacional Taï eram devidas a antraz", disse Emmanuel Couacy-Hyman, do Instituto de Saúde Animal da Costa do Marfim, um dos autores do estudo, num comunicado do Instituto Max-Planck.


O mesmo patógeno foi encontrado em vários animais - várias espécies de macacos, cabritos e até um porco-espinho. Mas os mais afetados eram mesmo os chimpanzés: 31 entre 55 casos examinados.


"Pelas nossas previsões, antraz pode com o tempo contribuir para levar os chimpanzés à extinção", observou Roman Wittig, do Instituto Max-Planck.


Agora os cientistas vão estudar o motivo de a bactéria estar particularmente ativa no Parque Nacional Taï e como os animais são infectados.


"Infecções em grandes símios são frequentemente indicadores de doenças que também podem afetar humanos", observou Lothar H. Wieler, do Instituto Robert Kock, um dos autores do estudo.


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