• Sandra Carvalho

Ar mais limpo, menos gente com Alzheimer

Três estudos ligam a redução de poluição com menor risco da doença.


Paris
Paris: entre os franceses, ar menos sujo se combina com cérebro mais saudável | Foto: cc0 Louis Paulin/Unsplash

O ar carregado de poluição, especialmente das partículas inaláveis finas (PM2,5), é um veneno para o cérebro. Os poluentes da queima dos combustíveis, como o dióxido de nitrogênio, também. Três pesquisas indicam que diminuir essa contaminação diminui o risco de doença de Alzheimer.


As partículas de PM2,5 são cerca de 30 vezes mais finas que um fio de cabelo, e são conhecidas pelos estragos causados ao pulmão. O dióxido de nitrogênio, o NO2, é um indicador dos poluentes ligados ao tráfego de veículos nas cidades e nas estradas.


Os estudos foram apresentados esta semana na Conferência da Associação Internacional do Alzheimer (AAIC), em Denver, no Colorado.


Não é de hoje que a exposição de longo prazo à poluição do ar é associada a acumulação de placas relacionadas a Alzheimer no cérebro. Agora as novas pesquisas mostram que reduzir a poluição reduz tanto o risco da doença de Alzheimer quanto de outras formas de demência.


Um dos estudos indica que a queda de 10% de PM2,5 e de NO2, ao longo de 10 anos nos Estados Unidos se liga a reduções de 14% e 16% do risco de demência e a um declínio cognitivo mais lento em mulheres mais velhas. A pesquisa foi feita por um grupo de neurologistas da Universidade do Sul da Califórnia (#USC).


Outro estudo, desta vez feito com franceses, associa a menor concentração de PM2,5 em 10 anos com um menor risco de #demência (-15%) e de Alzheimer em particular (-17%) para cada micrograma de gás poluente por metro cúbico de ar nas partículas finas.


A pesquisa foi elaborada por cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego (#UCSD) com dados de 7.000 franceses de 65 anos ou mais.


Um terceiro estudo aponta uma associação de níveis mais altos de beta amiloide no sangue, a má qualidade do ar e mudanças no cérebro que caracterizam a doença de Alzheimer.


Feito pela Universidade de Washington (#UW), esse estudo investigou o cérebro de 3.000 pessoas, para ver os efeitos da exposição longo prazo a PM2,5, a partículas maiores (PM10) e a NO2.


A pesquisa ligou os três poluentes a um nível mais alto da proteína Aβ1-40, um dos principais componentes das placas cerebrais características do Alzheimer.


"Já sabemos há algum tempo que a poluição do ar é ruim para o nosso cérebro e para a saúde geral, inclusive tendo uma conexão com o acúmulo de amiloide no cérebro", observou Claire Sexton, uma das diretores da Associação Internacional do Alzheimer.


"O que é empolgante é que agora estamos vendo dados que mostram que melhorar a qualidade do ar pode realmente reduzir o risco de demência", complementou.


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