• Sandra Carvalho

Arthur Rosenfeld, guru da eficiência de energia (1926-2017)

"A energia mais barata é a que não se usa", dizia Rosenfeld.



Arthur Hinton Rosenfeld, mais conhecido como Art Rosenfeld, inspirador das leis rigorosíssimas de conservação de energia da Califórnia, morreu dia 27 de janeiro, aos 90 anos de idade, em Berkeley.


Desde que começou sua cruzada pela eficiência da energia, nos anos 70, até morrer, o consumo per capita de energia na Califórnia praticamente não cresceu, apesar da montanha de gadgets e equipamentos que invadiu a vida e a casa das pessoas nas últimas décadas.


É o chamado "efeito Rosenfeld". Nos Estados Unidos, o consumo de energia per capita mais que dobrou nesse período, segundo o Washington Post.


Físico, durante anos Rosenfeld estudou partículas subatômicas em seu laboratório da Universidade da Califórnia em Berkeley. Mas a crise do petróleo dos anos 70 despertou sua atenção para a energia.


Com uma pegada pragmática, ele estudou o desperdício de energia dos refrigeradores e freezers da Califórnia.


Notou que, se os mais ineficientes fossem proibidos, a economia seria enorme. Suficiente até para evitar a construção de uma polêmica usina nuclear, a Sundesert, que estava sendo discutida.


Geladeiras e freezers


Rosenfeld conseguiu convencer o governador da Califórnia, Jerry Brown. Em 1977, Brown estabeleceu os primeiros padrões de eficiência energética para eletrodomésticos dos Estados Unidos, tendo como alvo inicial as geladeiras e os freezers e depois os outros equipamentos domésticos. Mais tarde se seguiriam padrões para construções

.

O governo federal americano o acompanhou dez anos depois.


"A energia mais barata é a que não se usa" era o mantra de Rosenfeld. Considera-se que ele permitiu que os consumidores da Califórnia economizassem bilhões de dólares em contas de energia por ano. (A Califórnia tem 39,8 milhões de habitantes, mais que o Canadá ou a Austrália.)


"Na primeira vez que impomos padrões a um produto a tendência é ver objeções, de que isso vai arruinar a civilização tal como a conhecemos", ele declarou ao Los Angeles Times. "Mas depois as pessoas se acostumam."


Enquanto ele propagava suas ideias, também desenvolvia tecnologia para aumentar a eficiência energética no Centro da Ciência para a Construção de Berkeley. Acabou facilitando a conservação de energia em janelas e tetos de edifícios, em iluminação e em aparelhos de ar condicionado e TV.


Ao longo da vida, ele derrubou um dogma: a de que uma economia em crescimento exige a construção de usinas de energia.


"Ele validou a ideia nada ortodoxa de que o crescimento econômico pode ser descasado do crescimento de energia", definiu o governador Jerry Brown. "Foi realmente o guru da eficiência."