• Sandra Carvalho

Arvóres ficam mais baixas e mais jovens no mundo todo

Temperaturas altas, desmatamento e incêndios estão estressando demais as florestas.


Floresta na região de Castelo dos Sonhos, Pará | Foto: cc Felipe Werneck/Ibama

Árvores mais velhas são um patrimônio da humanidade. Elas absorvem uma quantidade enorme de dióxido de carbono, o CO2, aliviando a mudança de clima. Mais: recebem animais ameaçados que não sobreviveriam sem elas. Mas muitas estão desaparecendo.


Em seu lugar, surgem árvores mais jovens e mais baixas, que não cumprem seu papel tão bem. Essa transição foi apontada por um time internacional de 23 cientistas num estudo publicado na revista Science.


"As florestas mais antigas frequentemente hospedam muito mais biodiversidade e armazenam muito mais carbono", observou o ecologista Nate McDowell, do PNNL, laboratório do Departamento de Energia dos Estados Unidos, o principal autor do estudo.


Segundo a pesquisa, 12% de todas florestas do mundo foram perdidas desde 1900. A perda foi muito maior entre florestas mais antigas - aproximadamente 1 terço delas desapareceu desde o início do século 20.


"Recomendaria que as pessoas visitassem os lugares com grandes árvores agora, enquanto elas podem, com seus filhos. Há uma ameaça significativa, e isso pode não ser possível algum dia."

Os cientistas se basearam em imagens de satélites, modelagem computacional e revisão de 160 estudos para chegar à conclusão que as árvores antigas estão sendo substituídas por outras mais baixas e mais jovens. Ou simplesmente não substituídas.


Na origem da perda de árvores mais velhas estão tanto a atividade humana quanto causas naturais: desmatamento, incêndios, ataques de insetos, fungos e bactérias, seca, danos causados pelo vento...


A exploração madeireira tem um alto impacto na transição para florestas mais jovens, segundo o estudo. "O mais preocupante é que todas essas perturbações estão aumentando no geral e devem aumentar no futuro", disse McDowell.


O CO2 também tem seu papel. Os níveis de dióxido de carbono aumentam desde a revolução industrial. Em tese, esses níveis mais altos poderiam acelerar o crescimento das árvores e a produção de suas sementes.


Isso realmente acontece, mas apenas nas florestas mais jovens com abundância de nutrientes e água, de acordo com o estudo. Como a maioria das florestas enfrenta limitações de nutrientes e água, os benefícios do CO2 ficam reduzidos.


"Eu recomendaria que as pessoas visitassem os lugares com grandes árvores agora, enquanto elas podem, com seus filhos", sugeriu McDowell à NPR. "Há uma ameaça significativa, e isso pode não ser possível algum dia no futuro."


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