• Sandra Carvalho

As florestas desmatadas se vingam do agronegócio

Em áreas desvastadas do sul da Amazônia, a chuva diminui e as plantações de soja minguam.


Plantação de soja em Rondônia
Plantação de soja em Rondônia | Foto: cc James Martins/Panoramio

Derrubar florestas para expandir plantações na Amazônia pode ser uma tentação para o agronegócio, mas é uma má ideia. Periga ser até um agrossuicídio.


Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (#UFMG) estudaram uma região de 1,9 milhão de quilômetros quadrados em seis estados do sul da Amazônia onde o agronegócio ocupou até 60% de antigas florestas.


Nessas áreas, as #chuvas caíram pela metade ao longo de 20 anos, penalizando sobretudo as grandes plantações de soja e também a criação de gado. O estudo foi publicado na Nature Communications.


"“Financeiramente não compensa desmatar para produzir, porque em poucos anos a perda causada com a redução de chuvas será maior que o ganho de produção decorrente do aumento da área plantada”, alertou o engenheiro florestal Argemiro Teixeira, da UFMG, um dos autores do estudo, à Pesquisa Fapesp.


Região do sul da Amazônia estudada: chuvas pela metade | Imagem: Argemiro Teixeira et al/UFMG

Por que a chuva diminui? A umidade, antes garantida pela floresta, despenca, e aumenta o albedo (capacidade de refletir a luz solar).


Em termos imediatos, o desmatamento pode até aumentar localmente as chuvas, mas os

níveis de precipitação começam a cair abruptamente quando o desmatamento supera 58% do território.


Segundo Teixeira descreveu num comunicado da UFMG, o processo todo é um jogo de soma negativa, em que as perdas com o desmatamento sempre acabam sendo maiores que os ganhos da expansão da área da agropecuária.


Seria o agrossuicídio na Amazônia, segundo os pesquisadores.


De acordo com o estudo, o prejuízo causado pela queda de produtividade na região pode chegar a 5,7 bilhões de reais, ou 1 bilhão de dólares, por ano, considerando a produção de soja e carne.


"O prejuízo é muito maior se considerarmos que o desmatamento na Amazônia reduz drasticamente a chuva nas regiões Sul e Sudeste”, observou o metereologista Luiz Augusto Machado, outro autor do estudo.


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