• Sandra Carvalho

As pessoas conseguem ouvir mesmo à beira da morte

Cientistas da Universidade de British Columbia documentaram a audição de quem agoniza.


A morte, de Oscar Bluemmer | Foto: cc0 Smithsonian Art Museum

Pesquisadores canadenses da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC) resolveram investigar até quando as pessoas conseguem ouvir em seus últimos momentos de vida. Sua conclusão: elas são capazes de escutar mesmo que inconscientes.


Os cientistas desse estudo consideram a audição o último sentido que as pessoas perdem ao morrer. E mostraram evidências da reação de pessoas agonizantes aos sons.


Eles usaram eletroencefalografia (EEG) para medir a atividade elétrica do cérebro de doentes hospitalizados quando estavam conscientes e depois quando haviam se tornado irresponsivos.


Os pacientes estavam internados numa instituição de cuidados paliativos, o St. John Hospice, em Vancouver. Os cientistas também mediram a atividade elétrica do cérebro de pessoas saudáveis e mais jovens, para comparação.


"Nossos dados mostram que um cérebro agonizante pode responder ao som, mesmo em estado inconsciente, até as últimas horas da vida", afirmou Elizabeth Blundon, a autora principal do estudo.


"Devemos continuar falando com as pessoas em seus últimos momentos porque alguma coisa está acontecendo no cérebro delas."

Os pesquisadores usaram sons comuns e outros raros para testar a resposta dos doentes, e compararam com a resposta das pessoas do grupo de controle, saudáveis e mais jovens. As respostas foram similares, segundo a pesquisa.


O estudo foi publicado no jornal Scientific Reports.


Romanye Gallagher, médica aposentada do St. John Hospice, com 30 anos de experiência com pessoas agonizantes. também participou do estudo.


"Enfermeiros e médicos notam que o som das pessoas queridas ajuda a confortar as pessoas quando elas estão morrendo", comentou. "Isso dá mais sentido aos últimos dias e horas da vida".


Segundo a médica, as palavras, nesse momento, pessoalmente ou por telefone, também ajudam as pessoas próximas de quem morre. "É um conforto poder se despedir e expressar amor."


O estudo assegura que as pessoas à beira da morte podem ouvir, mas não que elas entendem o que ouvem.


"Seus cérebros respondem as estímulos auditivos, mas não sabemos se eles estão lembrando, identificando vozes ou compreendendo a linguagem", advertiu Elizabeth Blundon. Isso ficaria para novas pesquisas esclarecerem.


Na sua opinião, o que se sabe é que devemos continuar falando com as pessoas em seus últimos momentos porque alguma coisa está acontecendo no cérebro delas.


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