• Sandra Carvalho

Autismo não é sentença para a vida inteira

Os sintomas podem diminuir e até desaparecer, diz estudo de cientistas americanos.


Crianças: os sintomas mudam ao longo dos anos | Foto: cc0 Michal Parzuchowski/Unsplash

Ainda não se sabe ao certo a causa do autismo, mas a gravidade dos seus sintomas pode diminuir substancialmente se o transtorno for tratado no início da infância. Aproximadamente 30% das crianças pode melhorar, segundo cientistas americanos.


Psicólogos e psiquiatras do Instituto MIND da Universidade da Califórnia em Davis (UCDavis) estudaram a evolução de 125 crianças (89 meninos e 36 meninas) com transtorno do espectro autista (TEA). Todas receberam tratamento significativo para a condição ao longo dos anos.


Comparando as mudanças entre os 3 e os 6 anos de idade, eles notaram que aproximadamente 30% das crianças apresentavam sintomas menos severos aos 6. Mais: algumas nem tinham mais sintomas do transtorno.


Segundo os cientistas, esses resultados mudam a concepção de que a severidade de um diagnóstico de autismo dura a vida inteira.


"Em alguns casos, as crianças deixaram inteiramente de ter diagnóstico de autismo", observou David Amaral, professor de psiquiatria e ciências do comportamento, autor sênior do estudo, em comunicado da UC.


Infelizmente, algumas das crianças acompanhadas ficaram com sintomas mais severos. Os cientistas não encontraram uma maneira de prever essa evolução para providenciar intervenções diferenciadas.


O estudo foi publicado Journal for Autism and Developmental Disorders.


Na pesquisa, as meninas diminuíram mais os sintomas de autismo do que os meninos. Segundo Einat Waizbard-Bartov, outro autor do estudo, a diferença pode ser explicada pela habilidade das garotas de mascarar os sintomas em situações sociais.


As crianças com QI mais alto também atenuaram mais os sintomas de autismo. "O QI é considerado o mais forte preditor da severidade dos sintomas", notou Waizbard-Bartov.


No Brasil, estima-se que haja aproximadamente 2 milhões de pessoas com TEA. No mundo, 70 milhões.


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