• Sandra Carvalho

Ayahuasca pode ajudar alcoólatras e deprimidos

É o que dizem cientistas ingleses, com base em pesquisas online.


Ayahuasca: pesquisa em duas universidades britânicas   | Foto: Rafael Guimarães dos Santos

A droga psicodélica ayahuasca, usada na Amazônia por tribos indígenas e grupos religiosos como Santo Daime, leva jeito para se transformar em uma arma contra o alcoolismo e a depressão.


Pelo menos é o que dizem cientistas das universidades de Exeter e College London (UCL), na Inglaterra, que examinaram dados de 96 mil pessoas ao redor do mundo.


A ayahuasca, feita do cipó Banisteriopsis caapi e de folhas da planta Psychotria viridis, contém dimetiltriptamina (DMT), uma substância psicodélica proibida em muitos países.


Entre as 96 mil pessoas que responderam à pesquisa online dos cientistas ingleses, apenas 527 eram usuários de ayahuasca. 18 mil consumiam LSD ou cogumelos mágicos e 78 mil não usavam nenhum tipo de droga psicodélica.


Os usuários de ayahuasca reportaram uma maior sensação de bem-estar nos últimos 12 meses do que os outros grupos da pesquisa.


Alcoolismo


"Pesquisas recentes demonstraram o potencial da ayahuasca como um remédio psiquiátrico, e nosso estudo acrescenta mais evidências de que pode ser um tratamento promissor e seguro", disse Will Lawn, da UCL, principal autor do estudo, em comunicado da Universidade de Exeter.


Segundo Celia Morgan, professora de psicofarmacologia de Exon, outra autora do estudo, a pesquisa indicou que a ayahuasca não vicia, provoca impacto cognitivo ou piora problemas mentais a longo prazo.


O estudo observou, de qualquer forma, que os usuários de ayahuasca fora da Amazônia e das áreas de consumo tradicional da droga registram ao longo da vida mais problemas mentais que os outros grupos.


Quanto a alcoolismo, os usuários de ayahuasca relataram menos problemas com bebida que os consumidores de outras drogas psicodélicas, mas mais problemas do que as pessoas que não usavam drogas.


Os países com mais usuários de ayahuasca na pesquisa são Alemanha (mais de 70), Colômbia (mais de 60), Brasil (quase 50) México (mais de 40) e Estados Unidos (quase 40).

O paper foi publicado no jornal Scientific Reports no dia 9 deste mês.


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