• Sandra Carvalho

Bebês, cada vez mais raros no Japão

O país encerra 2019 com 500 mil pessoas a menos do que tinha no começo do ano.


Bebê em Tóquio: a cidade tem a mais baixa taxa de fertilidade do país | Foto: cc0 Ryoji Iwata/Unsplash

Em 2019, nasceram 864 mil bebês no Japão, segundo os dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar.


O número é muito menor que o das pessoas que morreram, que chegou a 1, 376 milhão. Resultado: 512 mil pessoas a menos na população do país.


A população japonesa diminui desde 2007, ano após ano, o que colocou o país na categoria de sociedade super-envelhecida.


A classificação significa que pelo menos 1 pessoa em cada 5 tem 65 anos ou mais num país. Hoje o Japão tem a maior proporção de idosos do mundo.


Atualmente 28% dos japoneses já têm 65 anos ou mais. Em 2050, os idosos chegarão a 38%, de acordo com o último estudo demográfico da ONU, The 2019 Revision of World Population Prospects.


Se a tendência persistir, o Japão vai passar de 124 milhões de habitantes em 2018 para 88 milhões em 2065. Isso apesar de os japoneses viverem cada vez mais (a expectativa de vida em 2019 no país é de mais de 84 anos) .


Entre as razões do declínio populacional japonês está a própria diminuição das pessoas em idade reprodutiva, num ciclo vicioso que se perpetua. Em 2018, a taxa de fertilidade já baixara para 1,42 (é preciso que seja de 2 para uma população se manter estável).


A falta de entusiasmo para ter filhos também tem muito a ver com a sobrecarga das mulheres, que normalmente cuidam sozinhas das crianças e das casas no país.


Para culminar, a cultura japonesa está longe de estimular ser mãe e ter uma carreira simultaneamente. Cada vez mais as mulheres optam por continuar na carreira e abrem mão da maternidade.


Vários países recorrem à imigração para deter o declínio populacional, mas o Japão ainda tem uma política restritiva nesse sentido, com alguma abertura para poucos países.


Por enquanto, apenas Japão e Alemanha estão na categoria de sociedades super-envelhecidas. Mas em 2030 dezenas de países devem se unir aos dois. Entre eles, os Estados Unidos, a França, o Reino Unido e Cingapura.


É que a população mundial está envelhecendo em geral. Em 2018, pela primeira vez na história, pessoas com 65 anos ou mais superaram globalmente as crianças com menos de cinco anos.


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