• Sandra Carvalho

Bigorexia, a fixação em músculos enormes

O corpão sarado pode esbanjar músculos, mas quem sofre de bigorexia não se contenta.


Fisiculturista: músculos, veias e disciplina férrea | Foto: cc0 Damir Spanic/Unsplash

Bigorexia não tem nada a ver com boa forma. Ir à academia tonificar os músculos e ganhar força faz bem para a saúde, é claro. Ficar obcecado em ganhar um corpo ultramusculoso e fazer a vida girar em torno disso é outra coisa.


A bigorexia, também conhecida como vigorexia e dismorfia muscular, é uma doença que afeta principalmente homens. Na Inglaterra, estima-se que um em cada dez frequentadores de academias sofra dessa condição.


Antes, o distúrbio se restringia mais aos halterofilistas. Nos últimos anos, foi se espalhando entre um público bem maior.


Vítimas da bigorexia pensam nos músculos em primeiro lugar. Passam muitas horas por dia na academia e chegam a treinar com lesões.


Muitos bigoréxicos usam anabolizantes, flertando com as consequências gravíssimas disso, inclusive com a morte. Esteróides, como se sabe, podem causar problemas sérios no coração, rins e fígado, além de provocar alterações de humor.


A dieta, que pode bater em 5.000 calorias por dia, é cientificamente calibrada na composição e nos horários para garantir a hipertrofia dos músculos. Almoçar num restaurante comum? Pode esquecer. Suplementos alimentares? Não podem faltar.


Trabalho, amigos, família - tudo vem depois. Por quê? Quem tem bigorexia, mesmo que exiba um corpo mais malhado do que o Thor de Chris Hemsworth, tende a se achar pequeno e fraco. É uma distorção grave da própria imagem. Não há espelho que resolva.


Não é à toa que a bigorexia é chamada de anorexia reversa. Os anoréxicos se acham gordos demais, mesmo que estejam magérrimos, e se recusam a comer para secar o corpo ainda mais.


As vítimas da bigorexia, mesmo com músculos hiper exagerados, levantam peso compulsivamente, para que eles inflem ainda mais.


O fenômeno da bigorexia coincide com corpos masculinos cada vez definidos, maiores e mais musculosos no cinema, nas séries e nas revistas, num ideal cada vez mais difícil de alcançar na vida real.


Se não tratada, a bigorexia pode levar à depressão e ao suicídio.


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