• Sandra Carvalho

Bordo-vermelho, uma árvore que ama cidades

Essa espécie fica mais saudável e produtiva justamente onde há mais urbanização.



O bordo-vermelho é uma árvore que sabe explorar as qualidades e sobreviver aos defeitos das cidades - tira nutrientes inclusive de onde não se supõe que eles existam.


A capacidade do bordo-vermelho (Acer rubrum) de prosperar mais em ambientes altamente urbanizados foi comprovada por um estudo recente da Universidade de Delaware (UD).


Os pesquisadores compararam árvores em Filadélpia, uma cidade de 1,5 milhão de habitantes, na Pensilvânia, com as de Newark, de 33 mil habitantes, em Delaware (nada a ver com a Newark de New Jersey).


Conclusão: os bordos-vermelhos nas florestas de Filadélfia, em áreas com muita população, se mostraram mais saudáveis e mais produtivos do que os bordos de Newark, em áreas com muito menos gente.


Em Filadélfia, no solo havia mais nitrogênio por causa fumaça do escapamento dos carros e também mais cálcio vindo dos materiais de construção.


Havia também mais dióxido de carbono (CO2) pela maior densidade da população, e mais superfícies impermeáveis, como ruas e edifícios, que retêm mais calor, formando uma ilha de calor urbana.


A pesquisa mostrou que os bordos-vermelhos lidam bem com isso - com os fatores positivos (mais nutrientes, como nitrogênio) e com os negativos (mais poluição de metais pesados e calor excessivo).


Para lidar com os fatores estressantes, as árvores produzem compostos de proteção e erguem uma barreira de defesa em torno do cloroplasto e das mitocôndrias.


Em Filadélfia há muitas construções com concreto, prédios que se erguem enquanto outros são demolidos. Isso acabou sendo uma vantagem para as árvores, porque o concreto é uma substância que contém cálcio, magnésio e alumínio. Esses materiais acabam se degradando, mais cedo ou mais tarde, se tornando em fontes de alimentos para as plantas.


"Isso nos dá uma visão sobre como plantar as árvores certas nas cidades", notou Covel McDermot, da Universidade de Delaware na época da pesquisa, um dos autores do estudo. "Precisamos apoiar a resiliência ecológica."


O estudo foi publicado no jornal científico PLOS ONE.


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