• Sandra Carvalho

Brasil joga fora 776 vidas de crianças indígenas em 2020

Muitas morreram de causas evitáveis - desnutrição, Covid, anemia.


Mãe e filho indígenas nadando
Mãe e filho nadando: crianças indígenas morrem mais no Amazonas | Foto: cc Marcelo Camargo/Agência Brasil

Crianças de até cinco anos de idade dão conta de um quinto das mortes de indígenas no Brasil. Ao longo de 2020, as mortes infantis chegaram a 776, segundo os dados coletados pelo Conselho Indigenista Missionário (#Cimi).


O Cimi apelou à Lei de Acesso à Informação para conseguir os números junto a Sesai, a secretaria de governo responsável pela saúde indígena. No total, foram 3.861 mortes oficiais de indígenas no país no ano passado.


Entre as crianças mortas, 402 eram meninos, e 374 meninas. Eles morreram mais no estado do Amazonas (250), Roraima (162) e Mato Grosso (87).


Entre causas de morte, muitas eram evitáveis - anemia, desnutrição, desidratação, diarreia, Covid, pneumonia. Houve 21 óbitos registrados como "sem assistência", segundo o Cimi. Confira o quadro das mortes infantis:


Gráfico de mortes de crianças indígenas
Gráfico: Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil /2020/Cimi

A vida dos indígenas está especialmente complicada, porque as demarcações de suas terras foram totalmente suspensas no governo Bolsonaro, eles estão sob intensa pressão de garimpeiros, madeireiros e fazendeiros, e a rede de assistência aos povos indígenas foi desestruturada, justamente em meio à pandemia de Covid.


Mortes sem assistência, considerando crianças e adultos, atingiram em 2020 os povos kanamari, sateré-nawé, xavante, xakriabá, oro wari, guarany mbya e xerente.


Os suicídios entre os indígenas chegaram a 110 no ano passado, levando em conta crianças de 10 anos ou mais e adultos. Foram 21 do sexo feminino e 89 do masculino. Eles aconteceram principalmente no estado do Amazonas (42), Mato Grosso do Sul (28) e Roraima (15).


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