• Sandra Carvalho

Qual é o risco de câncer com tintura de cabelo permanente?

Novo estudo isenta a tintura de aumentar risco da maioria dos cânceres, mas não de todos.


Tintura: entre 50% e 80% das mulheres europeias e americanas usam depois dos 40 | Foto: cc0 Tore F/Unsplash

Pesquisas sobre os efeitos colaterais das tinturas permanentes de cabelo são sempre polêmicas e raramente conclusivas. Um novo estudo mais assertivo acaba de sair de Harvard.


A pesquisa afirma que essas tinturas não aumentam o risco de morte por câncer nem estão associadas com a maior parte dos cânceres. Mas alerta que aumentam ligeiramente o risco de câncer do ovário, linfoma de Hodgkin e de alguns tipos de câncer do seio e da pele.


Tintura de cabelo não é apenas uma questão de vaidade - é também uma questão de saúde para seus milhões de adeptos. Segundo o estudo, entre 50% e 80% das mulheres e de 10% dos homens acima dos 40 anos costumam pintar o cabelo nos Estados Unidos e na Europa.


As tinturas mais agressivas são as permanentes, justamente as mais adotadas. Conforme os pesquisadores, elas são 80% das tinturas usadas nos Estados Unidos e na Europa e ainda mais do que isso na Ásia.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a exposição profissional às tinturas um provável carcinogênico, mas não faz advertências para os consumidores por faltarem pesquisas definitivas.


Os pesquisadores de Harvard basearam suas conclusões no exame de um banco de dados de 117 mil mulheres que foram acompanhadas por 36 anos. Conforme o estudo, a tintura não aumentou o risco de câncer na bexiga, cérebro, cólon, rim, pulmão, sangue ou sistema imunológico.


O uso de tintura permanente, no entanto, fez crescer ligeiramente o risco de carcinoma basocelular da pele, particularmente em mulheres com cabelos mais claros.


Os pesquisadores notaram também um pequeno aumento de risco de três tipos de câncer no seio - receptor de estrogênio negativo, receptor de progesterona negativo e receptor de hormônio negativo.


O risco de câncer de ovário também aumentou ligeiramente com tinturas permanentes, crescendo de acordo com a quantidade cumulativa da tintura ao longo dos anos.


Entre as mulheres de cabelo escuro, também foi notado um pequeno aumento de risco de linfoma de Hodgkin.


Como se trata de um estudo observacional, não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito entre o câncer as tinturas permanentes. A pesquisa foi publicada no jornal BMJ e divulgada pelo próprio periódico.


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