• Sandra Carvalho

Cães de trenó e humanos: convívio de 9.500 anos

O husky siberiano e o malamute-do-Alasca têm mais história do que se pensava.


Cães de trenó: geneticamente adaptados a dieta de muita gordura | Foto: Carsten Egevang/Qimmeq

Até agora se supunha que os cães de trenó existiam há dois ou 3 mil anos. Mas um time internacional de 35 cientistas descobriu que eles convivem e trabalham com os humanos da região do Ártico há muito mais tempo: aproximadamente 9.500 anos.


O estudo foi liderado pela Universidade de Copenhague (UCPH), num projeto chamado Qimmeq, e publicado na revista Science.


Os cães de trenó se distinguem dos outros cachorros porque são adaptados geneticamente a uma dieta de muita gordura, como os ursos polares e as próprias pessoas do Ártico. Outros cães já são adaptados a dietas de muito açúcar e amido.


A pesquisa mostrou que os cães de trenós modernos, como os huskies siberianos, os cães-da-groenlândia e os malamutes-do-Alasca, compartilham a maior parte do genoma com um cachorro da Sibéria que viveu 9.500 anos atrás, chamado Zhokhov.


Supunha-se que Zhokhov, batizado com o nome da ilha em que foi encontrado, era um tipo de cachorro antigo, um dos primeiros a ser domesticados.


Mas os cientistas do projeto Qimmeq extraíram o DNA do cão, fizeram o sequenciamento completo do genoma e compararam com os genomas de outros cachorros ao longo da história. Constataram que houve uma diversificação muito precoce dos cães de trenós.


Os dados mostraram que os cães de trenó modernos e Zhokhov têm a mesma origem na Sibéria mais de 9.500 anos atrás.


A pesquisa não parou nos cães de trenó. Para confirmar seus achados, os cientistas sequenciaram os genomas de um lobo siberiano de 33 mil anos e dez cães-da-groenlândia. Depois, compararam com os genomas de cães e lobos no mundo inteiro.


"Os cães de trenó modernos estão muito mais intimamente relacionados com Zhokhov que que com outros cães e lobos", notou o pesquisador Mikkel Sinding, um dos autores do estudo.


Entre os cães de trenó modernos, o que tem menos sobreposição com outros cachorros modernos é o cão-da-groenlândia. Segundo o estudo, isso sugere que ele é o primeiro dos cães de trenó do mundo.


Qimmeq: foco na cultura e na história do cão de trenó | Foto: Carsten Egevang/Qimmeq

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