• Sandra Carvalho

Cachorros treinam para detectar coronavírus pelo cheiro

Cães já farejam malária, câncer e doença de Parkinson. Por que não Covid-19?


Cão em treinamento na Universidade da Pensilvânia | Foto: PennVet/Universidade da Pensilvânia

Cães humilham humanos em receptores de cheiro - eles têm 300 milhões e nós, apenas 6 milhões. Com essa superioridade, são cada vez mais treinados para farejar doenças. Covid-19 é a mais recente delas.


A Faculdade de Veterinária da Universidade da Pensilvânia (PennVet), na Filadélfia, iniciou no mês passado um programa piloto de treinamento para os cachorros identificarem doentes com o novo coronavírus, especialmente os assintomáticos. Em julho os animais já devem começar a farejar humanos.


A primeira fase de treinamento é a de impressão de odor, em que os cães são expostos à saliva e à urina de pacientes com Covid-19 em laboratório. Depois se testa se eles são capazes de discriminar amostras positivas e negativas da infecção ainda em laboratório. Só depois os cachorros serão testados em campo, com pessoas reais.


"Cães farejadores podem detectar acuradamente pequenas concentrações de compostos orgânicos voláteis associados a várias doenças, como câncer de ovário, infecções bacterianas e tumores nasais", observou a professora Cynthia Otto, da PennVet. "O impacto potencial dos cachorros em detectar Covid-19 poderá ser substancial."


Treinamento de detecção de doenças em Londres | @BexArts/LSHTM

Num programa paralelo, um grupo de cientistas ingleses também está treinando cachorros para detectar a Covid-19. Eles são da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM) e da Universidade Durham.


O objetivo na Inglaterra é preparar os cães para examinar acuradamente até 250 pessoas por hora. A LSHTM tem uma história de sucesso nessa área. Treinou cachorros para detectar malária com um nível muito alto de eficiência, superior inclusive aos padrões da OMS, a Organização Mundial da Saúde.


Como nos caso de malária, câncer e Parkinson, os cães serão treinados cheirando diversas amostras e indicando quais delas têm a doença em questão.


A ideia é preparar os cães para eventual uso nas fronteiras do Reino Unido e outros locais públicos. Pessoas identificadas pelos cães seriam encaminhadas para testes do novo coronavírus.


"Essa nova ferramenta de diagnóstico poderá revolucionar nossa resposta à Covid-19", afirmou o professor James Logan, da LSHTM. A conferir, quando os cães estiverem em ação.


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