• Sandra Carvalho

Calçadas de SP: 65 milhões de m2 de desigualdade

Calçadas largas, planas, desimpedidas e bem cuidadas não são bem a regra na cidade.


Centro de São Paulo
Pedestre espremida em São Paulo | Foto: cc Gabriel Cabral/Flickr

Quando saem de casa, os 12, 3 milhões de habitantes de São Paulo têm de disputar as ruas com 9,1 milhões de veículos. As calçadas poderiam ser uma opção tranquila ao trânsito, mas nem sempre chegam lá.


Calçadas largas, que garantem mais tranquilidade para o pedestre e mais segurança, ficam mais restritas às zonas ricas de São Paulo. A desigualdade marca as calçadas da cidade em seus 65 milhões de metros quadrados.


Um documento do Centro de Estudos da Metrópole (#CEM) , da Fapesp, acaba de demonstrar isso. Seu título: "Priorizar o transporte ativo a pé!"


O documento observa que em bairros da periferia de São Paulo, como Brasilândia, Sapopemba, Guaianases e Cidade Tiradentes, o percentual de calçadas estreitas, com menos de dois metros de largura, fica acima da média da cidade.


Detalhe: dois metros são considerados pelos técnicos o mínimo para garantir a segurança dos pedestres.


Em bairros mais centrais como Mooca, Lapa, Pinheiros e Vila Mariana e Sé, o percentual de calçadas com mais de três metros de largura está acima da média da cidade.


Paradoxalmente, alguns dos bairros com calçadas mais estreitas são justamente onde as pessoas fazem muitos percursos a pé, como ocorre nas regiões Leste e Norte da cidade.


A desigualdade traz a marca de classe e de raça, segundo o CEM.


"Enquanto a população de classe alta e branca se destaca por morar em locais com as calçadas mais largas, a população de classe baixa e negra vive em locais onde as calçadas são mais estreitas", escrevem os pesquisadores.


Para os mais ricos e brancos, calçadas de 4 metros ou mais. Para os mais pobres e negros, calçadas entre 1 e 1, 50 m. Confira no gráfico:


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Distribuição das larguras das calçadas de São Paulo em relação à classe e raça


Gráfico sobre calçadas
Gráfico: CEM

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