• Sandra Carvalho

Segura o avião! Está quente demais para decolar em Nova York, em Dubai...

Ondas de calor vão forçar os aviões a carregar menos peso ou adiar os voos.


Avião no solo: calor demais dificulta a decolagem | Foto: cc0 Usplash

Os aviões são responsáveis por 2% da emissão global de gases do efeito estufa. Até há poucas semanas, era essa a relação que normalmente se fazia entre aviões e o aquecimento global.


Quando aviões deixaram de decolar no final de junho, em Phoenix, no Arizona, Estados Unidos, porque não aguentaram as altas temperaturas do verão americano, viu-se que há também outra ligação entre os voos e o aquecimento global.


Cientistas estão prevendo que, se a temperatura continuar subindo, entre 10 e 30% dos aviões totalmente cheios terão de remover um pouco do combustível, da carga ou dos passageiros para poder levantar voo nas horas mais quentes do dia.


A explicação técnica para o problema: na medida que o ar esquenta, sua densidade declina. Num ar menos denso, as asas geram menos elevação quando o avião corre pela pista de decolagem.


Isso, claro, depende do modelo do avião, do cumprimento da pista e outros fatores. Mas se houver problema, a solução é diminuir o peso, adiar o voo ou cancelá-lo.


Quando a American Airlines cancelou mais de 40 voos de Phoenix, foi em função de picos de temperatura em torno de 48 graus - quente demais para os pequenos aviões regionais decolarem.


O estudo sobre o impacto do aquecimento do clima sobre os aviões foi publicado no jornal Climatic Change no dia 13 de julho.


Mais quente até 2080


"Nossos resultados sugerem que a restrição de peso pode impactar as operações aéreas ao redor do mundo", disse o autor principal do estudo, Ethan Coffel, que faz doutorado na Universidade Colúmbia, em um comunicado da universidade.


Segundo o estudo, as temperaturas médias devem subir globalmente em torno de 3 graus Celsius até 2.100. Mas não se trata apenas de temperaturas médias - é preciso considerar também as ondas de calor, que se tornarão mais frequentes.


A previsão do estudo é que as temperaturas máximas dos aeroportos subam entre 4 e 8 graus até 2.080, com as ondas de calor.


"Como o mundo se torna mais conectado e a aviação cresce, pode haver efeitos potenciais em cascata, tanto econômicos quanto outros, disse o climatologista Radley Horton, outro dos autores, também de Columbia, no comunicado da universidade.


Em 2015, Coffel e Horton publicaram um paper em que alertavam que os problemas ligados à temperatura na decolagem de aviões iriam aumentar quatro vezes mais para o Boeing 737-800 nos aeroportos de Phoenix, Denver, LaGuardia, em Nova York, e Ronald Reagan, em Washington.


Segundo o estudo, aeroportos que devem ser menos afetados pelo aquecimento global ficam em zonas temperadas e têm pistas longas. É o caso do JFK, em Nova York, Heathrow, em Londres, e Charles de Gaulle, em Paris.


Os autores previram problemas para ao aeroporto de Dubai, apesar de suas pistas longas, porque por lá a temperatura já é muito alta.


#Aeroportos #AquecimentoGlobal #Aviões #Colúmbia #Dubai #OndasdeCalor #Phoenix