• Sandra Carvalho

Caneta da USP detecta o terrível bisfenol-A

O BPA pode bagunçar os hormônios e até levar à infertilidade e câncer.


Estrurtura química do BPA
Bisfenol A: muito presente, de lentes de óculos a janelas | Imagens: Canva/Wikimedia Commons

As ameaças que o composto químico bisfenol-A (BPA) traz para a saúde são conhecidas - ele atinge o sistema endócrino, desequilibra os hormônios e pode levar à infertilidade e câncer nos órgãos reprodutores.


Ainda assim, aparece em plásticos como o policarbonato (utilizado em portas e janelas, lentes de óculos, artigos esportivos e produtos eletrônicos) e em vernizes, como os aplicados em latas de alumínio. As leis brasileiras permitem seu uso, dentro de determinados limites.


O uso do #BPA é terminantemente proibido no Brasil apenas no caso de mamadeiras e outros objetos para bebê.


O emprego do BPA na indústria acaba respingando no meio ambiente. Os resíduos da produção chegam aos rios e córregos e atingem as estações de água, que nem sempre conseguem remover todas as substâncias poluentes.


Resultado: os resíduos do BPA podem contaminar a água de torneira e serem ingeridos por praticamente todo mundo.


Há maneiras de medir essa poluição na água nas estações de água, através de cromatografia e espectroscopia, mas nem sempre esses métodos são utilizados, por serem caros e demorados. Aí é que entra a caneta da USP.


Ela foi desenvolvida por pesquisadores dos institutos de Física e Química da USP em São Carlos, e batizada em inglês de pen sensor. O caso foi relatado no jornal científico Materials Science and Engineering.


A caneta tem um sensor produzido com grafite, poliuretano e nanopartículas de prata para detectar o BPA nas estações de água rapidamente e com custo baixo.


Ela funciona acoplada a um pequeno analisador e pode ser conectada a um celular, fazendo o serviço na hora e dispensando análises de água mais demoradas em laboratório.


A caneta também pode ser usada para detectar a presença de BPA em rios, córregos, poços e torneiras.


“Em menos de um minuto de contato da amostra com o sensor é possível saber o resultado da análise. Os testes convencionais demoram semanas, até meses", notou à Agência Fapesp a química Marina Baccarin, da USP de São Carlos, uma das desenvolvedoras da caneta.


“A tecnologia está pronta para ser produzida e transferida. Tentamos usar material barato, nada de equipamentos supersofisticados ou importados; tudo pode ser encontrado aqui", ela garante.


Pen sensor
A caneta: com nanopartículas de prata | Foto: Marina Baccarin/USP

Veja mais: Invasão de plástico: o barato está saindo caro