• Sandra Carvalho

Carro, mais letal do que revólver

Os acidentes de trânsito nas ruas e estradas matam mais que armas de fogo.


Acidentes em ruas estradas: uma vida perdida a cada 15 minutos no Brasil | Foto: cc0 Wladyslav Topyekha/Pixabay

Os acidentes de trânsito já matam 1,35 milhão de pessoas por ano no mundo. São 3.700 vidas destruídas por dia, todos os dias. Os números são da Organização Mundial da Saúde (OMS).


No Brasil, os acidentes nas ruas e estradas causam uma morte a cada 15 minutos, segundo as estimativas do jornal O Globo.


Nada mata mais crianças, adolescentes e jovens adultos do que os acidentes de trânsito. Eles são a principal causa global de morte entre os 5 e os 29 anos de idade.


No Brasil, onde os assassinatos por arma de fogo são escandalosamente altos (726 mil em 20 anos) os acidentes de trânsito são ainda mais letais (734 mil mortes).


Quanto mais pobre um país, mais o trânsito cobra vidas. As taxas de mortalidade são três vezes maiores nos países pobres do que nos ricos.


Os países de renda baixa e média têm 60% dos veículos do mundo, mas é lá que acontecem 93% das mortes em acidentes de trânsito.


O que causa as mortes nos acidentes em ruas e estradas não é mistério. Velocidade é vilã número 1 da história. A cada aumento de 1% na velocidade média, cresce 4% o risco de uma batida fatal, de acordo com a OMS.


Para pedestres a velocidade faz toda a diferença entre a vida e a morte. O risco de morte por atropelamento aumenta 4,5 e meia se o carro passa de 50 km/h para 65 km/h.


Outros vilões das mortes no trânsito são os motoristas bêbados ou drogados. Cocaína foi a droga mais usada por motoristas de caminhões flagrados nos testes toxicológicos no Brasil em 2018.


Veja mais: 2019, o ano em que a morte venceu a prevenção nas estradas


Motociclistas sem capacete, motoristas e passageiros sem cinto-de-segurança e bebês e crianças pequenas sem cadeirinha também têm bastante culpa no cartório.


Observe as estatísticas da OMS. O capacete correto reduz 42% dos ferimentos fatais dos motoqueiros. O cinto-de-segurança diminui entre 45% e 50% das mortes entre motoristas e passageiros do banco da frente dos carros. A cadeirinha de bebê, por sua vez, reduz 60% das mortes.


Uma outra causa de acidentes de trânsito cada vez mais importante é o motorista distraído com o celular. As chances de acidente aumentam quatro vezes nessas circunstâncias.


Estradas e ruas esburacadas, sem pontos seguros para travessia de pedestres ou sem vias para ciclistas, também são protagonistas importantes das mortes no trânsito.


Veículos inseguros, é claro, têm responsabilidade pelas fatalidades. Controle de estabilidade e airbags hoje em dia fazem parte da cesta básica dos carros considerados seguros.


O socorro imediato no caso de acidentes conta igualmente para evitar as mortes, com ambulâncias rápidas e hospitais de boa qualidade.


Leis de trânsito rigorosas, fiscalização de seu cumprimento e punição para quem desrespeita as regras de segurança também são considerados essenciais para salvar vidas pelos especialistas da área.


No governo Bolsonaro, a tendência é ir na contramão desse rigor, e afrouxar as regras de trânsito.


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