• Sandra Carvalho

Cesariana, uma preferência nacional

Oito de cada 10 bebês nasce por cesárea nos hospitais privados.


Cesariana: mais riscos para a mãe e o bebê quando é desnecessária | Foto: copyleft Salim Fadhley/Wikimedia

A cesariana é uma operação que salva vidas. É necessária no caso de complicações no parto - como sofrimento do feto, bebê em posições anormais, sangramentos e doença hipertensiva da mãe. Na média, entre 10% e 15% dos partos.


Nada justifica 30 milhões de #cesarianas por ano no mundo - estimativa do maior estudo global sobre essa cirurgia, publicado na revista científica Lancet.


Banalizada, sem indicação médica real, a cesariana só aumenta os riscos para a mãe e o bebê. É por isso que sempre aparece nas críticas contra violência obstétrica.


Segundo o estudo da Lancet, o Brasil deixa quase todos os países para trás no ranking das epidemias de cesariana: essa cirurgia acontece aqui em 55,5% dos partos. Na rede pública de saúde, em 40% dos casos. Na privada, em 84%.


Só os dominicanos são ainda mais exagerados com as cesarianas: na República Dominicana a adesão é de 58,1%. Nós, brasileiros, ficamos empatados com os egípcios em segundo lugar da lista.


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Dados de 2016 do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) indica que a cirurgia é mais corriqueira em Goiás (67%), Espírito Santo (67%), Rondônia (66%), Paraná (63%) e Rio Grande do Sul (63%).


Muito popular na América Latina, a cesariana está aumentando no mundo todo. De acordo com os números da Lancet, 60% dos países já fazem mais cesarianas do que seria necessário.


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