• Sandra Carvalho

Chernobyl, o desastre nuclear interminável

O pior acidente nuclear da história aconteceu 33 anos atrás, na Ucrânia atual.


Colônia de férias para crianças em Chernobyl na época do acidente | Foto: Jorge Franganillo/Wikimedia Commons

Ucrânia, 25 de abril de 1986. Na usina nuclear de Chernobyl, um ícone da engenharia nuclear da União Soviética, alguns técnicos iniciam um teste segurança no gigantesco reator número 4, o mais novo dali.


Havia dúvidas sobre a solidez do projeto técnico do reator, o treinamento dos técnicos, o entendimento dos equipamentos. Não deu outra. Em poucas horas, aconteceria a maior catástrofe nuclear de todos os tempos.


No dia 26, várias explosões levantaram a tampa de aço e concreto do reator, incendiaram seu centro principal, que derreteu, e liberaram a radiação que mataria milhares de pessoas de câncer e tornaria a vida saúdavel na região impossível dali para frente. A contaminação atingiu boa parte da Europa.


O número preciso dos mortos por câncer causado pela radiação é uma questão em aberto. A epidemiologista Elisabeth Cardis estima entre 9 mil e 15 mil. O Greenpeace fala em 200 mil. A União Soviética suprimiu ao máximo possível as informações sobre o desastre.


Com o acidente, foram evacuados os 45 mil habitantes de Pripyat, chamada de Cidade Atômica, construída para os trabalhadores de Chernobyl, e símbolo de vida próspera na URSS. Pripyat é hoje uma cidade fantasma.


Seis funcionários da usina foram acusados pelo desastre e condenados a campos de trabalho forçado pela URSS. Criou-se, num raio de 30 km ao redor da área do desastre, a Zona de Exclusão de Chernobyl, devido aos perigos da radiação local.


Com a catástrofe, o otimismo sobre as usinas nucleares implodiu, e elas nunca mais foram vistas da mesma forma. Hoje, sob uma Ucrânia independente, Chernobyl é o símbolo do potencial destruidor das usinas nucleares caso alguma coisa dê errado.


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