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China, o novo sócio do clube do espaço

O país já está construindo sua quinta plataforma de lançamentos espaciais.


Lançamento de um foguete Longa Marcha 11 no Mar Amarelo no ano passado | Foto: CALT

Num futuro próximo, as plataformas de lançamentos espaciais localizadas no mar deverão ser muito mais comuns.


A SpaceX anunciou que espera criar instalações offshore logo com o objetivo de fazer os lançamentos e as aterrissagens de seu sistema Starship longe de áreas povoadas.


A China, o mais recente membro do clube das superpotências no espaço, está construindo atualmente o Porto Aeroespacial Oriental na costa da cidade de Haiyang, na província oriental de Shandong.


Esta plataforma móvel de lançamento está sendo desenvolvida pela Empresa de Ciência e Tecnologia Espacial da China (CASC, na sigla em inglês), a maior companhia aeroespacial e de defesa do país.


Quando estiver totalmente operacional, a plataforma será usada para lançar veículos leves, bem como para construir e manter foguetes, satélites e aplicações espaciais relacionadas.


Como a quinta instalação de lançamento da China, ela dará ao programa espacial do país um novo grau de flexibilidade. A adição de uma plataforma marítima também ajudará a mitigar o risco em áreas povoadas.


Escalada de lançamentos


Atualmente, todas as outras instalações de lançamento da China estão localizadas no interior do país, em Jiuquan (noroeste) Taiyuan (norte) e Xichang (sudoeste) , e na costa de Wenchang (sul) na ilha de Hainan.


Os lançamentos a partir desses locais geralmente resultam em retorno mais complicado dos veículos espaciais para a Terra, requerendo extensas operações de segurança e limpeza.


A adição de um porto aeroespacial flutuante também está de acordo com a expansão dos serviços de lançamento que a China viu nos últimos anos.


Nos últimos 20 anos, o país teve um aumento exponencial de lançamentos feitos com a família de foguetes Longa Marcha.


Em 2001, a agência espacial da China (CNSA, na sigla em inglês) realizou apenas um lançamento, usando o foguete Longa Marcha 2F. Esse número aumentou para 37 em 2018, usando uma combinação dos modelos Longa Marcha 2, 3, 4 e 11.


A agência já conseguiu realizar 26 lançamentos neste ano, apesar das limitações impostas pela pandemia COVID-19.


Manufatura aeroespacial


Espera-se que a adição do porto aeroespacial próximo à costa da Península de Shangdong leve ao desenvolvimento de um cluster de manufatura aeroespacial e industrial na região. Isso inclui a construção de um complexo de lançamento comercial próximo ao Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan.


Muito desse crescimento se deve a projetos de grande escala, que incluem a terceira iteração do Sistema de Navegação por Satélite BeiDou.


Além disso, a China anunciou sua intenção de criar constelações de satélites para internet via satélite, bem como outras infraestruturas relacionadas ao espaço que apoiarão seu crescente programa espacial nacional e a florescente indústria espacial comercial.


Boa parte desse crescimento também pode ser atribuída às reformas políticas que ocorreram no setor aeroespacial da China nos últimos anos.


Em 2014, o governo federal abriu o setor ao investimento privado pela primeira vez. No início de agosto, uma subsidiária da CASC, a CAST, também passou por uma fusão interna, onde alguns de seus institutos se uniram para criar o novo Departamento Geral de Satélites de Sensoriamento Remoto.


Capital e estado


Há três semanas, a CASC assinou um acordo com sua rival estatal, a Empresa de Ciência e Indústria Aeroespacial da China ( CASIC, na sigla em inglês).


O acordo prevê um aumento na cooperação para fortalecer a competitividade da China na arena internacional e promover o desenvolvimento de capacidades estratégicas militares e nacionais.


O primeiro lançamento de um foguete Longa Marcha 11 do Porto Aeroespacial Oriental ocorreu em 5 de junho de 2019 - ele transportou sete satélites para a órbita da Terra.


Outro Longa Marcha 11 foi lançado pela primeira vez do Centro de Lançamento de Satélites de Xichang em 24 de maio. Ele carregou dois satélites de demonstração de tecnologia para a órbita terrestre.


As equipes estão esperando montar um segundo lançamento com o Longa Marcha 11 antes do final de 2020, com uma possibilidade de lançamento antecipado nas próximas semanas.


O local também foi visitado recentemente por Wang Xiaojun, chefe da Academia Chinesa de Tecnologia de Veículos de Lançamento (CALT, na sigla em inglês), que é supervisionada pelo CASC, e que indicou que eles estavam fazendo “progressos substanciais” nas instalações.


Esses e outros avanços fazem parte do 14º Plano Quinquenal da China (2021-2025), que deverá incluir o lançamento de todos os componentes que farão parte da Grande Estação Espacial Modular Chinesa de 2021 a 2023.


A China também planeja enviar três missões de coleta e retorno de amostras da Lua como parte do programa de Exploração Lunar Chinês (Chang'e).


☛ Esse texto, de Matt Williams, foi republicado do site Universe Today. Leia o original em inglês.


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