• Sandra Carvalho

China proíbe a criação de 45 animais selvagens

Civetas, porcos-espinho e ratos-do-bambu estão entre as espécies banidas.


Civeta-de-palmeira-mascarada: criação vetada | Foto: cc Toshihiro Gamo/Flickr

As criações de 45 espécies de animais selvagens têm data para acabar na China: o final do ano. A ordem foi dada pela agência florestal do país, a NFGA, numa reviravolta de política.


Cerca de 14 milhões de pessoas criam animais selvagens para vender na China, a maioria em zonas rurais pobres. Elas poderão pedir indenização ao governo pela perda de renda.


Entre os 45 animais vetados estão a civeta-de-palmeira-mascarada, o porco-espinho, o rato-do-bambu e a cobra-verde-do-bambu.


Outras 19 espécies selvagens poderão ser criadas, mas apenas para fins medicinais e científicos e para indústria de pets, e não para comer. Nessa limitação se incluem o ouriço, o texugo, o pavão-azul e o porquinho-da-índia, usado como cobaia.


A medida é uma tentativa de reduzir o risco de doenças zoonóticas, transmitidas por animais, como a Covid-19. Será bem recebida tanto por autoridades sanitárias quanto por organizações de defesa dos direitos dos animais, que vinham se empenhando para que isso acontecesse.


Mas não vai encerrar o assunto, porque vários animais selvagens ficaram de fora da lista de criações proibidas. Não entrou na lista nenhuma espécie selvagem aquática e nem as selvagens terrestres normalmente adotadas como animais de estimação.


Mais rigor?


Críticas veladas a essas exceções estão sendo reproduzidas inclusive na mídia estatal chinesa, como o Global Times, e talvez sugiram que novas medidas virão pela frente.


O governo da China está sob grande pressão, interna e externa, para banir o comércio de vida selvagem desde a eclosão da pandemia do novo coronavírus.


O primeiro grande surto de Covid-19 ocorreu em Wuhan, no centro do país, e se suspeita que possa ter começado num mercado da cidade que vendia vários animais selvagens vivos.


Até agora, a criação de animais selvagens era um projeto para redução da pobreza em regiões mais atrasadas da China, como na região autônoma de Guangxi Zhuang, onde se produz 70% das cobras criadas em cativeiro do país e 60% dos ratos-do-bambu.


Os criadores estão sendo incentivados a mudar para outros animais, como o francolim-pintado.


Nos últimos meses, a China começou a apertar o cerco contra o comércio de animais selvagens.


Em fevereiro, uma lei proibiu o consumo de animais selvagens e seu comércio ilegal. Um pouco depois, vários animais ameaçados de extinção, como o pangolim, foram tirados da lista das matérias-primas da Enciclopédia de Medicina Tradicional chinesa.


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